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Habitação. Madrugada tranquila em Lisboa e no Porto

Ficaram montadas cerca de uma dúzia de tendas na Praça Dom João I. PSP mobilizou quatro agentes para monitorizar situação.

No Porto, as tendas ficaram durante parte da noite na praça D. João I, sem que a PSP exigisse a retirada das cerca de uma dúzia de tendas que foram montadas naquela praça durante a noite. Até que, por volta das 4h30, os poucos manifestantes que ainda restavam tiraram por iniciativa própria as tendas. No Rossio o cenário foi semelhante, tendo ficado apenas alguns cartazes da manifestação dest domingo junto à estátua de D. Pedro IV.

Acampada pela habitação, no Porto (19/10)
Acampada pela habitação, no Porto (19/10) RITA FRANÇA/ LUSA

De acordo com a agência Lusa, os quatro agentes da PSP presentes nos arredores da Praça D. João I, no Porto, desde a 00h30, abandonaram o local pelas 2h30 sem falar com os membros da acampada e exigir o levantamento das tendas. Dispostos desde a primeira hora a não passar a noite na praça, mas fazendo depender disso o habitual pedido da PSP, os cerca de 50 elementos da acampada permanecem ora em tendas, já a dormir, ou no exterior, a conversar, enquanto mais acima, também a conversar, estavam os quatro agentes.

A PSP dispersou na madrugada de domingo as acampadas pelo direito à habitação no Rossio, em Lisboa, e na Praça D. João I, no Porto, retirando cerca de 100 tendas. A intervenção culminou em cargas policiais e arremesso de objetos, provocando mais de duas dezenas de feridos entre manifestantes e polícias.

A atuação policial motivou um pedido de esclarecimentos do Presidente da República ao Governo e à Provedora de Justiça, e o anúncio de uma queixa-crime, por parte de um advogado, por abuso de poder contra o ministro da Administração Interna e o diretor da PSP.

Nos acampamentos, que começaram a 10 de outubro, os manifestantes exigem a reversão da nova lei do arrendamento, o fim das demolições e dos despejos sem alternativa habitacional, um travão à aquisição de habitação por fundos imobiliários, o aumento da habitação pública, a recuperação de imóveis devolutos para fins habitacionais e tetos "verdadeiramente acessíveis" à renda.