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Gouveia e Melo avisa esquerda que Ventura pode vencer Seguro numa segunda volta

Lusa 15 de janeiro de 2026 às 22:06
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"A esquerda pode correr o risco de acabar nestas eleições com um Presidente da República de extrema-direita", disse.

O candidato presidencial Gouveia e Melo avisou esta quinta-feira a esquerda que, numa eventual segunda volta das eleições presidenciais, entre André Ventura e António José Seguro, o líder da "extrema-direita" pode derrotar o antigo secretário-geral socialista.

Gouveia e Melo alerta para risco de Ventura vencer Seguro numa segunda volta
Gouveia e Melo alerta para risco de Ventura vencer Seguro numa segunda volta JOSÉ SENA GOULÃO/LUSA

Gouveia e Melo fez esta alusão às sondagens que colocam Ventura e Seguro numa segunda volta das presidenciais no discurso que proferiu no final de um comício da sua candidatura, no edifício da Alfandega, no Porto.

"A esquerda pode correr o risco de acabar nestas eleições com um Presidente da República de extrema-direita, porque isto não está fora de causa. Cuidado com a inutilidade do vosso voto", declarou.

Na parte inicial do seu discurso, também de referiu à direita democrática e à "inutilidade do voto" neste setor ideológico nas eleições do próximo domingo, falando então do candidato que "confundiu os seus interesses pessoais com os interesses do Estado".

"Nesta situação, é só uma a opção: votar num candidato independente, suprapartidário, que não é contra a esquerda, que não é contra a direita, que não tem partidos e que a vitória desse candidato não é uma derrota partidária. É uma mudança para melhorar o nosso sistema", sustentou.

Mas, nesta parte do seu discurso, o ex-chefe do Estado-Maior da Armada disparou sobretudo contra António José Seguro, referindo novamente o tempo em que foi secretário-geral do PS entre 2011 e 2014, no período em que Portugal estava sob assistência financeira externa, mas, também, quando foi jovem e estava perante o Serviço Militar Obrigatório.

"No que respeita à preparação para ser comandante supremo das Forças Armadas, também não gosto de ver candidatos que, contrariamente ao que estava determinado pelo Ministério da Defesa, conseguiram ir fazer umas filmagens dentro de umas aeronaves para mostrar que eram muito operacionais", disse.

No entanto, segundo o almirante, "quando fizeram o serviço militar obrigatório só fizeram a instrução".

"E depois foram para um gabinete do ministro e passaram todo o tempo do serviço militar obrigatório no gabinete do ministro, não nos quartéis como todos nós", disse.

No plano político, Gouveia e Melo defendeu que a esquerda não deve unir-se "à volta de um candidato que até há pouco renegava ser de esquerda".

"A esquerda quer-se unir à volta de um candidato que, no tempo da troika, sem ser necessário, acompanhou medidas que retiraram e reduziram a capacidade dos nossos mais idosos para se sustentarem -- e não tinha de o fazer. Parece que teve vontade de ir para além da troika, o não era necessário", considerou.

Foi ainda mais longe no seu ataque: Apela-se ao voto dos cidadãos da terceira idade. Mas são os mesmos que não tiveram a coragem de dizer que neles não se pode tocar porque estão indefesos. Unem-se à volta de um candidato com o cinismo atroz, quando mais de metade de um partido o criticava de forma violenta", acrescentou -aqui numa referência ao PS.