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Câmara da Guarda com vários serviços bloqueados após "incidente cibernético complexo"

Lusa 20 de fevereiro de 2026 às 21:40
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O ataque informático ocorreu no mesmo dia em que a PJ efetuava buscas no âmbito de um inquérito que envolve um titular de cargo político.

Guarda, 20 fev 2026 (Lusa) -- A Câmara da Guarda está há uma semana sem serviços informáticos e site da Internet devido a um "incidente cibernético complexo", que ainda não está resolvido, assumiu hoje o presidente da autarquia na reunião quinzenal do executivo.

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"Trata-se de um incidente cibernético complexo registado no dia 12 de fevereiro, que condicionou, condiciona e vai continuar a condicionar o funcionamento dos nossos serviços", disse Sérgio Costa aos jornalistas no final da reunião, realizada excecionalmente esta sexta-feira.

O ataque informático ocorreu no mesmo dia em que a Polícia Judiciária efetuava buscas na Câmara da Guarda para recolher elementos de provas, no âmbito de um inquérito instaurado por participação económica em negócio e prevaricação de titular de cargo político.

Na altura, a autarquia publicou uma nota nas redes sociais a dar conta que "devido a um problema informático, os serviços online e o site oficiais estão de momento indisponíveis. Estamos a trabalhar para repor com a maior brevidade possível todo o sistema".

O silêncio prevaleceu desde então, mas hoje o executivo ficou a saber que "a segurança integral da informação e dos dados pessoais dos munícipes está salvaguardada".

"Estamos a trabalhar arduamente, em estreita articulação com as autoridades policiais de investigação e com consultores para nos ajudarem a restabelecer a normalidade de forma blindada e definitiva", informou o presidente da Câmara.

Sérgio Costa reconheceu que a autarquia está perante "um caso de força maior", pois "estamos absolutamente bloqueados em muitos serviços".

O autarca da coligação PG/Nós, Cidadãos!/PPM adiantou aos jornalistas que atualmente apenas o Balcão Único está a funcionar, "mas condicionado".

"Esperemos que gradualmente outros serviços sejam desbloqueados até o restabelecimento total, é aquilo que ambicionamos", acrescentou, sem adiantar uma previsão para a resolução do problema.

"Cabe aos técnicos dar-nos essa estimativa e propor os caminhos a seguir, mas é certo que vamos continuar condicionados no serviço em todas as situações, pelo que os prazos relativos a obras e licenciamentos vão ter que ser alargados", disse Sérgio Costa.

Sérgio Costa agradeceu ainda a "compreensão de todos os guardenses e das instituições pelos transtornos causados" e enalteceu "o extraordinário espírito de missão dos nossos funcionários que, perante a adversidade, garantem a continuidade do serviço".

Alexandra Isidro, vereadora da coligação PSD/CDS/IL, manifestou preocupação com a proteção dos dados dos munícipes e dos processos de licenciamento de obras.

"Será necessário que os prazos dos processos em causa sejam, obviamente, alargados dados estes constrangimentos, mas alertámos também para a necessidade de informação à população sobre o que está disponível, quais são os constrangimentos, até para as pessoas saberem quais os serviços que podem utilizar", disse.

Já António Monteirinho, vereador do PS, lamentou que o presidente não tivesse dado mais explicações sobre o ataque informático.

"Ficámos sem saber se é, ou não, um vírus, se há, ou não, pedido de resgate e quem sequestrou essa informação. Acho que mereceríamos essa resposta. Esperamos que, no momento oportuno, a Câmara possa esclarecer todos os guardenses", declarou.

No entanto, o eleito socialista admitiu que a situação "deve ser grave", pois refletiu-se "no processo da convocatória dos vereadores para esta reunião de Câmara e na falta de alguns documentos que não puderam ser emitidos".

Esta sexta-feira, o executivo aprovou, por maioria, com a abstenção dos três eleitos do PS e da coligação PSD/CDS/IL, a contratação de um empréstimo, de longo prazo, de 11,2 milhões de euros para a empreitada de regeneração urbana do Vale do Cabroeiro.

A oposição também se absteve na aprovação da nova estrutura orgânica dos serviços municipais, que vai passar a ter dois departamentos e 14 divisões.

Estes dois assuntos vão ser submetidos à Assembleia Municipal de 28 de fevereiro.

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