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UGT não sabe "qual a decisão" a tomar sobre pacote laboral: resposta será conhecida quinta-feira

Luana Augusto 22 de abril de 2026 às 19:02

Mário Mourão disse que o secretariado da UGT ainda está a analisar a última versão da proposta apresentada pelo Governo e que só na quinta-feira irá emitir uma decisão. Já a CGTP esteve hoje reunida com Seguro para denunciar a tentativa do Executivo em afastá-la do processo.

O secretário-geral da UGT disse esta quarta-feira que ainda não sabe "qual será a decisão" do secretariado da central sindicalista sobre o pacote laboral. Em declarações aos jornalistas, já depois de uma reunião com o Presidente da República, Mário Mourão esclareceu que a secretaria ainda vai analisar a última versão entregue pelo Governo. "Vamos fazer esse debate, mas não sei qual será a decisão. O documento em análise é o documento final."

Mário Mourão esteve reunido com o Presidente, António José Seguro MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

A resposta surge apenas um dia antes da reunião extraordinária prevista para quinta-feira, na qual o secretariado da UGT irá decidir se dará "luz verde" à última versão da proposta. Apesar disso, Mário Mourão admitiu que o "Governo continua disponível para fazer aproximações" e lembrou que a "UGT sempre esteve aberta a diálogo", mas reforçou: "Não estou ainda confortável com a proposta que está em cima da mesa."

O secretário-geral da UGT recordou ainda as negociações de nove meses com a ministra do Trabalho, que terminaram na sexta-feira sem uma luz verde por parte da central sindical. "Os empresários estavam de acordo [com a proposta], o Governo estava confortável e a UGT informou que iria remeter a decisão para o secretariado, que é quem tem essa competência", explicou.

Também esta quarta-feira o secretário-geral da CGTP, Tiago Oliveira, esteve reunido com António José Seguro. À saída da reunião, considerou em declarações aos jornalistas que a reforma laboral "está ferida de inconstitucionalidade". "Não há por onde fugir. O Governo tem de ouvir a maioria e tem que retirar o pacote laboral porque é essa a exigência dos trabalhadores", pediu. E acrescentou que o Governo é "inimigo dos trabalhadores".

Numa audiência com o Presidente da República, o secretário-geral da CGTP denunciou ainda a tentativa do Executivo em afastar a central sindical do processo, contrariando assim o que está disposto na Constituição - que determina que "cabe às associações sindicais participar na construção da legislação laboral".

"Quando este Governo afasta a maior central sindical do País da construção deste processo, porque não quer discutir as propostas com os trabalhadores, está aqui um processo que está ferido desde o início", lamentou.

Tiago Oliveira reúne-se com o Presidente da República Pedro Ferreira

As negociações entre a UGT, o Governo e as confederações empresariais decorreram durante nove meses, mas deixaram sempre a CGTP de fora. As partes ainda conseguiram chegar a um consenso em 130 normas, segundo a ministra do Trabalho, no entanto, não tendo sido incluídas propostas consideradas cruciais para a UGT, a central sindical rejeitou a proposta por unanimidade e decidiu remeter a resposta para o secretariado.

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