Secções
Entrar

Sindicato diz que concurso para novos médicos de família foi um insucesso

Lusa 22 de janeiro de 2026 às 18:18

Na região de Lisboa e Vale do Tejo, a mais carenciada de especialistas desta área, havia 84 vagas abertas para médicos de família e ficaram por preencher mais de 70%.

A Federação Nacional dos Médicos (Fnam) classificou esta quinta-feira o recente concurso para colocação de médicos de família como um insucesso, alegando que foi lançado tarde, levando os novos especialistas a optarem por uma alternativa ao SNS.
DR
"O concurso chegou demasiado tarde e, quando há um atraso prolongado na abertura de vagas, muitos médicos não ficam indefinidamente à espera e saem para o setor privado e para a prestação de serviços", lamentou a vice-presidente da federação sindical, Joana Bordalo e Sá. Mais de 60% das vagas para Medicina Geral e Familiar (MGF) ficaram por preencher no concurso de segunda época, que terminou com a ocupação de 50 das 142 abertas, segundo dados a que a Lusa teve acesso. Na região de Lisboa e Vale do Tejo, a mais carenciada de especialistas desta área, havia 84 vagas abertas para médicos de família e ficaram por preencher mais de 70%, com apenas 24 vagas ocupadas. Em declarações à Lusa, Joana Bordalo e Sá salientou que para esses números contribuiu ainda a "tentativa desestruturada" do Governo de criar unidades de saúde familiar modelo C, centros de saúde de gestão privada, na "expectativa que alguns recém-especialistas fossem para essas unidades". Isso também "contribui para a saída de médicos do Serviço Nacional de Saúde (SNS)", referiu a dirigente sindical, apontando também o "insuficiente número" de vagas abertas, perante a falta de cerca de mil especialistas de medicina geral e familiar no país.
"Em termos absolutos, se tivessem aberto todas as vagas necessárias, de certeza que se iria conseguir reter mais médicos no SNS", defendeu a vice-presidente da Fnam, alegando que a disponibilização de mais lugares "permite uma maior escolha" do local de trabalho por parte dos novos especialistas. A dirigente sindical referiu que agora é necessário ver se os colocados assinam os contratos com as Unidades Locais de Saúde (ULS), tendo em conta que, em anteriores concursos, apresentaram contratos a médicos de família que previam um dia por semana (12 horas) de trabalho nas urgências do hospital. "Houve tentativas de ULS de celebrarem com médicos de família contratos assim. O serviço de urgência não faz parte das tarefas próprias de um médico de família", realçou Joana Bordalo e Sá, para quem essas situações "colocam em causa a contratação efetiva e os médicos de família não ficam nessas condições". "Tendo em conta o insucesso deste concurso, não vai resolver absolutamente nada e vai, se calhar, piorar mais a situação", tendo também em conta o número de médicos de medicina geral e familiar que vão sair do SNS por aposentação, referiu. Em 2025, no total dos dois concursos realizados para contratação de médicos recém-especialistas em MGF, foram ocupadas 281 vagas, o que permitiu a atribuição de médico de família a mais 435.550 utentes. Segundo o portal da transparência do SNS, em novembro de 2025, estavam inscritos nos cuidados de saúde primários mais de 10,7 milhões de utentes, número que tem vindo a aumentar consistentemente desde março de 2024, e cerca de 1,5 milhões não tinham médico de família atribuído.
Artigos recomendados
As mais lidas
Exclusivo

Operação Influencer. Os segredos escondidos na pen 19

TextoCarlos Rodrigues Lima
FotosCarlos Rodrigues Lima
Dinheiro

Os testamentos de Francisco Pinto Balsemão

TextoAna Taborda
FotosAna Taborda
JUSTIÇA. O QUE ESTÁ NO PROCESSO INFLUENCER

Escutas da Operação Influencer. Sei o que disseste ao telefone durante três anos

TextoCarlos Rodrigues Lima
FotosCarlos Rodrigues Lima