Secções
Entrar

Professores e Governo retomam negociações a 7 de Setembro

27 de julho de 2018 às 20:54

"Em causa está a negociação do prazo e forma de recuperação do tempo de serviço congelado dos professores, correspondente a nove anos, quatro meses e dois dias", refere o SIPE em comunicado.

Os sindicatos dos professores e o Ministério da Educação (ME) vão retomar as negociações a 7 de Setembro, de acordo com o Sindicato Independente de Professores e Educadores (SIPE).

1 de 5
Foto: Getty Images
Foto: Filipa Couto / Correio da Manhã
Foto: Jamie Grill
Foto: Lusa

"O SIPE, juntamente com as restantes estruturas sindicais, foi convocado pelo Ministério da Educação para uma reunião a realizar às 15:00, do próximo dia 7 de Setembro. Em causa está a negociação do prazo e forma de recuperação do tempo de serviço congelado dos professores, correspondente a nove anos, quatro meses e dois dias", pode ler-se no comunicado do sindicato, que integra uma plataforma de dez estruturas sindicais que há meses negoceia com o Governo a recuperação do tempo de serviço congelado.

No comunicado, que cita a presidente do SIPE, Júlia Azevedo, a sindicalista defende que esta será "uma reunião decisiva, numa altura em que o Ministério e o Governo estão sujeitos a uma grande pressão, pois está em causa a aprovação do Orçamento do Estado e a tranquilidade do arranque do ano lectivo".

Para Júlia Azevedo, "o ónus está do lado do ME", o qual "tem o poder de decidir entre um arranque do ano lectivo turbulento ou a paz" que os sindicatos esperam, bastando para isso ao Governo, acrescenta, "cumprir com aquilo que se comprometeu".

"O SIPE está disposto a negociar o prazo e o modo para recuperação do tempo de serviço, inclusivamente a possibilidade de o converter em anos para aposentação voluntária dos docentes", conclui o comunicado.

Quanto ao tempo a recuperar, as estruturas sindicais mantêm-se irredutíveis nos nove anos, quatro meses e dois dias, que numa reunião esta semana o Governo foi apurado que tem um custo anual de 635 milhões de euros.

O custo tem sido descrito pelo Governo, inclusivamente pelo primeiro-ministro, como incomportável para a sustentabilidade das finanças públicas, um argumento que os sindicatos têm contraposto com a disponibilidade para fasear o pagamento da recuperação do tempo de serviço congelado, querendo agora trazer para cima da mesa a possibilidade de converter esses anos em tempo para a aposentação.

As negociações sobre esta matéria decorrem desde 15 de Dezembro de 2017, depois de a 18 de Novembro ter sido assinada uma declaração de compromisso que previa um processo negocial.

O decurso desse processo negocial deixou os sindicatos insatisfeitos e levou à convocação de uma greve conjunta às avaliações de final de ano lectivo, que bloqueou milhares de conselhos de turma e atrasou a atribuição de notas finais, tendo o ME solicitado que fossem decretados serviços mínimos aos anos de escolaridade com exames e provas finais, para acautelar, nomeadamente, o processo de candidatura ao ensino superior, dependente da conjugação das notas finais com as notas de exames.

A greve ainda decorre, mas apenas convocada pelo recém-criado Sindicato de Todos os Professores (S.T.O.P.), que hoje acusou o Ministério da Educação de fraude, por terem sido usadas notas do 2.º período escolar como notas finais, na sequência de terem sido dadas orientações às escolas sobre requisitos mínimos para a realização dos conselhos de turma, que segundo a tutela são apenas uma resposta a dúvidas sobre implicações nas férias dos docentes, mas que na prática acabam por esvaziar o efeito da greve ainda em curso.

Descubra as
Edições do Dia
Publicamos para si, em três periodos distintos do dia, o melhor da atualidade nacional e internacional. Os artigos das Edições do Dia estão ordenados cronologicamente aqui , para que não perca nada do melhor que a SÁBADO prepara para si. Pode também navegar nas edições anteriores, do dia ou da semana.
Boas leituras!
Artigos recomendados
As mais lidas
Exclusivo

Operação Influencer. Os segredos escondidos na pen 19

TextoCarlos Rodrigues Lima
FotosCarlos Rodrigues Lima
Portugal

Assim se fez (e desfez) o tribunal mais poderoso do País

TextoAntónio José Vilela
FotosAntónio José Vilela
Portugal

O estranho caso da escuta, do bruxo Demba e do juiz vingativo

TextoAntónio José Vilela
FotosAntónio José Vilela