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Paulo Portas toma posse como Comissário-Geral para as Comemorações 900 anos de Portugal

Lusa 22 de julho de 2026 às 19:27

Nas próximas semanas será dado a conhecer quem compõe o conselho geral e os quatro membros que formam o comissariado executivo, além de Paulo Portas.

O ex-vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, tomou posse esta quarta-feira como comissário-geral para as Comemorações dos 900 anos da Fundação de Portugal, cuja programação celebrativa será apresentada até ao final do ano.

Sérgio Azenha

Paulo Portas garantiu que ouvirá os mais variados agentes culturais e entidades, antes de apresentar a programação, e quer que esta seja uma "celebração de todos", realçando ser Portugal uma das mais antigas nações, fundada ainda antes do conceito de Estado-Nação.

Portugal celebra 900 anos da sua fundação em 2028 tomando-se como referência a batalha de S. Mamede, a 24 de junho de 1128, uma data militar, lembrou Portas, que realçou outras duas datas: uma política, a do Tratado de Zamora, de 1143, entre D. Afonso Henriques, filho dos condes portucalenses e o rei Afonso VII de Leão e Castela, e uma terceira, diplomática, o reconhecimento pela Santa Sé, em 1179, através da bula "Manifestis Probatum", assinada pelo papa Alexandre III.

Paulo Portas salientou "o sentido imperativamente nacional que caracteriza as celebrações". "É Portugal como um todo que estamos a celebrar", enfatizou.

À tomada de posse à qual presidiu a ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, assistiram vários secretários de Estado, a vice-presidente da Assembleia da República, Teresa Morais, eurodeputados, nomeadamente Sebastião Bugalho (PSD) e João Almeida (CDS-PP), os presidentes dos municípios de Guimarães, Ricardo Araújo, e o de Lisboa, Carlos Moedas, assim como o cardeal Américo Aguiar, bispo de Setúbal, entre outras personalidades, como os ex-deputados do CDS Cecília Meireles e Diogo Feio e representantes da Cultura das comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional.

Balseiro Lopes referiu-se a Portas como "uma personalidade particularmente qualificada para assumir esta missão" com um "percurso público amplamente conhecido, [que] desempenhou, ao longo de várias décadas, funções de elevada responsabilidade". Referindo a "sua intervenção cívica e política -- enquanto jornalista, pensador, jurista e político".

"O percurso que construiu ao serviço do país proporcionou-lhe um profundo conhecimento das instituições, da nossa História e da projeção internacional do país -- reunindo, por isso, todas as condições para liderar este projeto e contribuir para que estas comemorações honrem plenamente a importância do momento histórico que assinalam", disse Balseiro Lopes.

A ministra, no seu discurso, enunciou os objetivos do Governo para estas comemorações: "Que cheguem às escolas, às instituições de Ensino Superior, aos museus e aos monumentos; que envolvam os municípios, as comunidades locais, os agentes culturais, os investigadores, as associações e a sociedade civil; que mobilizem diferentes gerações e territórios; e que permitam, sobretudo, desenvolver um programa plural, participado e distribuído por todo o país -- capaz de aproximar todos da nossa História e do património que partilhamos".

A governante reconheceu que "a missão é exigente", dado ser um "projeto de interesse nacional".

"Um trabalho que vai contar com o contributo das diferentes entidades públicas, das autarquias, das instituições culturais, da comunidade científica e de tantos outros parceiros que vão ser chamados a participar neste projeto", acrescentou.

Portas, por seu turno, prometeu "lealdade" à ministra a quem irá "com cortesia" telefonar várias vezes.

Enfatizando a vontade do Governo que estas comemorações "sejam vividas por todas e todos os portugueses", Margarida Balseiro Lopes lembrou que "conhecer a nossa História, é reconhecer o valor das instituições que fomos construindo, da nossa independência, da nossa liberdade, da nossa cultura, e da continuidade de um país que, nove séculos depois, permanece uma das mais antigas nações do mundo".

"A cultura é, também, aquilo que nos permite compreender o percurso coletivo que fizemos enquanto povo. É através dela que conhecemos a nossa História, preservamos a nossa memória, e transmitimos às gerações futuras os acontecimentos, os valores e as escolhas que moldaram Portugal ao longo dos séculos", defendeu a governante.

A ministra da Cultura iniciou o seu discurso, evocando o músico Luís Represas, que morreu esta quarta-feira, em Lisboa, aos 69 anos, afirmando que a sua "partida representa uma enorme perda para a música portuguesa, para a cultura nacional, e para o país".

"Ao longo de cinco décadas, [Luís Represas] afirmou-se como uma das vozes mais icónicas da música portuguesa contemporânea -- deixando um legado artístico que ocupará, para sempre, um lugar muito especial na nossa Cultura e na memória de várias gerações de portugueses".

À margem da cerimónia, falando aos jornalistas, a ministra voltou a expressar o seu pesar pela morte do músico do grupo Trovante, que "faz parte da nossa memória coletiva" e referiu as canções "Perdidamente" e "Timor".

A ministra conhecerá as propostas de Paulo Portas e da comissão "até ao final do ano", e quanto ao orçamento das celebrações, não adiantando números, afirmou que virá do seu ministério, mas também da angariação de financiamento através do mecenato, cuja nova lei aguarda promulgação.

A governante disse que convidou Paulo Portas a participar no próximo Forum da Cultura, criado por si no ano passado, e que este ano se reunirá em setembro, no Vale do Côa, e que será "um dos momentos de auscultação" sobre as celebrações.

O conselho geral, um dos órgãos do Comissariado-Geral destas comemorações, será "ativado antes do final do ano", e nas próximas semanas será dado a conhecer quem compõe o conselho geral e os quatro membros que formam o comissariado executivo, além de Paulo Portas.

A ministra recusou um olhar nostálgico sobre o passado, mas antes "para o conhecer com rigor, compreendê-lo na sua complexidade, e reconhecer nele uma parte essencial daquilo que somos hoje enquanto nação".

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