Passos diz que políticos que não querem desagradar a ninguém se tornam "prostitutos sem carácter"
Passos Coelho cumprimentou o líder do Chega e Ventura disse-lhe que tem "sempre saudades de uma grande figura".
O antigo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho considerou hoje que era desejável "um pouco mais de ritmo" na atividade política, admitindo que os portugueses "estão impacientes", num diálogo com André Ventura à entrada para a apresentação de um livro.
Depois de não ter querido falar à comunicação social, Passos Coelho cumprimentou o líder do Chega, que também marcou presença, com Ventura a transmitir-lhe que tem "sempre saudades de uma grande figura". Questionado se acompanha a atividade do Chega, o antigo primeiro-ministro disse "acompanhar a política portuguesa toda, como cidadão interessado", repetindo que, ao contrário de André Ventura, não está no ativo.
Ainda antes de apresentar o livro "A Constituição Fluida", do constitucionalista Carlos Blanco de Morais, no auditório da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, Passos Coelho e André Ventura -- que se sentaram lado a lado na primeira fila -- trocaram breves impressões sobre a política nacional em frente aos microfones da comunicação social.
Já durante a apresentação afirmou: "Quando, com medo do populismo, o político do mainstream lhe veste a casaca para evitar que o populismo chegue com o voto ao palácio e resolve então ser mais populista do que o populista (...) e para evitar que o verdadeiro lá chegue, normalmente a história mostra que a coisa não funciona porque o que é autêntico e genuíno sempre se manifesta de uma forma muito mais eficaz do que o que é postiço", afirmou o ex-primeiro-ministro. "E então o postiço fica sem nada, fica sem integridade fica como um prostituto sem nenhuma... sem caráter, sem reduto de pensamento, simplesmente vindo ao aplauso que o momento lhe possa fornecer. Mas a mesma multidão que o aplaude condena-o passado muito pouco tempo, quando o futuro não é o desejado", concluiu Pedro Passos Coelho.
Nessa conversa, admitiu que os portugueses "parecem impacientes". "Era bom que as coisas ganhassem um pouco mais de ritmo, a expectativa é essa que as pessoas têm, quando fazem escolhas", referiu Passos, numa aparente alusão às escolhas eleitorais dos portugueses.
Passos e a maldição dos líderes que não querem desagradar a ninguém: populistas postiços tornam-se "prostitutos sem carácter"
Na resposta, Ventura afirmou que "as pessoas esperam que esta maioria no Parlamento faça estas mudanças".
"Pois, eu julgo que sim. Pelo menos, estão prometidas", respondeu Passos, que nos últimos meses tem feito várias intervenções críticas ao atual Governo PSD/CDS-PP liderado por Luís Montenegro.