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No mundo de Aníbal: Os bastidores da campanha presidencial de Cavaco Silva

Vítor Matos 04 de maio de 2026 às 11:28

Cavaco afinal também ri. Conta piadas, relaxa a expressão facial, parece outro quando está longe da arena mediática. Mas não deixa de ser a figura tensa e rígida que os portugueses conhecem. Quatro dias por dentro da sua vida.

A conversa tinha chegado a um beco sem saída. Apanhado de surpresa pela desfaçatez do motorista, Cavaco Silva reagiu com um sarcasmo pouco usual, para lidar com o insólito do momento. “Sabe, até há aquela canção dos Amiigos para sieempree!” – cantarolou inesperadamente o candidato a Presidente da República – “com que então, ficaram amigos para sempre, ah, ah…”, riu-se a seguir, espantado com o que acabara de ouvir.

Cavaco Silva surge a ajustar a gravata, refletindo uma imagem mais descontraída da sua campanha presidencial Jorge Padeiro/Agência Zero

Arménio Mendes, um magnata da cidade de Santos, no estado brasileiro de São Paulo, um dos líderes da comunidade portuguesa, era quem, no sábado, dia 19, conduzia Aníbal e Maria Cavaco Silva, que seguiam sentados no banco de trás do seu Mercedes. Tinham acabado de visitar a Beneficência Portuguesa e Arménio levava-os de volta ao hotel de que ele próprio é o proprietário.

Cavaco queria saber como aquele emigrante, chegado ao Brasil há 40 anos, se tinha tornado dono de hotéis e construtor de milhares de apartamentos. Conversa puxa conversa, e ele contou que uma prefeita do PT (do mesmo partido do Presidente Lula) o tinha feito perder 1 milhão de dólares com a divulgação de notícias na imprensa local, acusando-o de ter um prédio quase a desabar. “Sabe o que fiz, professô?”, deixou no ar, enquanto premia uma tecla no rádio do automóvel. “Comprei essa estação de rádio aí, que o sinhô está ouvindo... E contratei dois jornalistas para andarem todo o dia atrás da prefeita. Depois disso ficámos amigos até hoje.”

Quando ouviram Arménio a gabar-se de comprar jornalistas para domesticar adversários, Cavaco e Maria trocaram um olhar franzido. “Ainda por cima ficaram amigos, não foi ó sr. Arménio”, desanuviou o professor, desviando a conversa quando um peão se atravessou no caminho. “Cuidado, não vale a pena atropelar esse, que é português, eh, eh.” Era o operador de câmara com o colete da RTP.

UM DIA DEPOIS, NO AVIÃO, de regresso a Portugal, sentado ao lado da mulher, como sempre, Cavaco havia de comentar o episódio outra vez: “Palavra que fiquei de boca aberta com aquela história.” Confissões tão despudoradas sobre assuntos delicados, só mesmo no Brasil. Ali, até manifestações contra o Governo de Lula se fazem a sambar e a cantar em cima de carros alegóricos, como aquela que tinha passado em frente ao hotel, no Rio de Janeiro. Jamais a CGTP faria um forrobodó daqueles.

Cavaco divertia-se: “Lembro-me daquela anedota que dantes se contava dos brasileiros: ‘Venha o comunismo que a gente abandalha ele!’ Ah, ah, aqui é assim...”

No outro corredor do avião, António Tânger, um embaixador em vias de trocar o consulado-geral do Rio de Janeiro pela embaixada portuguesa em Vilnius, na Lituânia, hesitava em comprar uns óculos escuros no duty-free do Airbus da TAP. “Sr. professor, o senhor é que vai decidir se compro os óculos ou não. O que acha?” Aníbal respondeu: “Com esses óculos, só se for para fazer um anúncio ao Martini, para as mulheres bonitas da Lituânia.”

Maria Cavaco entrava no jogo, passando discretamente o polegar pelos lábios – “É assim, não é?” –, para a seguir louvar as graças do marido. “Ele tem um sentido de humor muito britânico, muito nonsense. A imagem pública dele não tem nada a ver com aquilo que é na realidade”, dizia à SÁBADO. É difícil imaginar, para quem o conhece da televisão ou das conferências de imprensa, mas a mulher não resistia em sublinhá-lo: “Como é que eu, sendo aquilo que sou, podia estar casada com uma coisa dessas?”

Ora, se Maria garante que não foi com uma esfinge que deu o nó há 42 anos, que ideia faz Cavaco da imagem que as pessoas têm dele? “Os meus amigos de infância fartam-se de rir com o que vocês escrevem.” E passa a explicar a rigidez, a pose hirta e a cara fechada que marcou a década em que foi primeiro-ministro e que tanto irrita Soares: “Há uma dignidade que envolve o exercício do poder. E, se estamos lá, temos de agir assim, porque o exercício do poder envolve algum distanciamento e isolamento.”

Também é verdade que nunca se deu muito bem com o uso público de ironias. Prefere não arriscar para não ser mal entendido, diz um colaborador. A estratégia eleitoral de Cavaco baseia-se, aliás como sempre, nessa imagem de homem formal e rigoroso, absolutamente racional, nos antípodas do candidato apoiado pelo PS, que aposta numa campanha emotiva, baseada na proximidade, na descontracção e no apelo aos afectos dos eleitores.

UMA LINHA INVISÍVEL na vida deste homem separa o político esfíngico, como Mário Soares lhe chamou há dias, do avô de quatro netos.

Crianças, que em privado relaxa a expressão facial e perde a rigidez nos gestos. O Cavaco público não é aquele a quem a neta mais velha perguntava quando ia haver a tal conversa de família (depois da qual ele decidiria se avançaria na corrida para a presidência da República), porque ela tinha ouvido falar disso nas notícias. Nem aquele para quem um dos netos corre a dizer que “há um homem na televisão a dizer mal do avô”. O sentido de humor, guarda-o para o seu mundo. A não ser que o contexto seja aquele, ao fim de quatro dias de pré-campanha junto das comunidades portuguesas, no Brasil: de quinta-feira, dia 17, a domingo, dia 20, Cavaco passou por São Paulo, Santos e Rio de Janeiro.

Almoçou com emigrantes do povo, com emigrantes empresários (Ricardo Espírito Santo, do BES, esteve com ele em São Paulo), visitou o clube de futebol Portuguesa de Desportos, recebeu as camisolas do Santos e do Vasco. Sempre são alguns milhares de votos que podem fazer a diferença em Janeiro…

Levava no bolso três discursos, em que repetia os argumentos que tem defendido desde que apresentou a candidatura. Acrescentou-lhes adaptações, recordando que sempre apoiara o voto dos emigrantes para a Presidência da República (ao contrário de outros, imagina-se quem, Soares e o PS, mas também não os nomeou) e anunciando que haveria de criar em Belém uma assessoria para as comunidades portuguesas (que só em 2001 votaram pela primeira vez para um Presidente).

Preparou as intervenções nas dez horas de voo até São Paulo, escrevinhando tópicos com uma letra miudinha em folhas A5 quadriculadas. Antes dos discursos, recolhe sugestões, ouve sobretudo o seu director de campanha, Alexandre Relvas (gestor e seu ex-secretário de Estado do Turismo), mas é ele que formula o texto. “Oiço muitas pessoas e depois sou eu que escrevo, com a minha própria maneira de transmitir e contar”, explica.

Entre São Paulo e o Rio, num voo interno da Varig, adiantou, a lápis, um artigo para um livro sobre os 25 anos da morte de Sá Carneiro, que se assinala a 4 de Dezembro.

Aos 66 anos, Cavaco Silva é um homem elegante, porém seco, anguloso e rijo como a pasta Dunhill preta onde guarda os papéis para trabalhar, pousada numa mesa forrada a couro na suíte presidencial do Hotel Pestana Rio Atlântico, no Rio de Janeiro. O aperto de mão é breve e firme. O olhar, frio.

Por timidez ou por gostar de manter as distâncias, não se pode dizer que a simpatia ou a afabilidade sejam traços dominantes da sua personalidade. Quando se trata de trabalho, ou por estar sob a observação de um jornalista e um fotógrafo que lhe invadem a privacidade, economiza nas palavras. Cavaco Silva, o professor de Finanças Públicas que se tornou político — apesar de o tentar negar —, evita ao máximo mostrar a intimidade.

A mulher reserva-se nos aposentos, enquanto ele, pela primeira vez na vida, deixa um órgão de comunicação social registar os seus gestos quotidianos, embora fazendo um esforço visível para manter a aparência. Frente ao espelho, faz um dos dois laços de gravata que costuma usar. “Este é o mais simétrico, não sei o nome, mas desde miúdo que faço vários nós de gravata.”

É a mulher quem as escolhe, ajudando a atenuar a sua mania por gravatas vermelhas, como a que usou no dia em que apresentou a candidatura à presidência, no Centro Cultural de Belém. O vermelho-bandeira apertando-lhe o colarinho visava transmitir confiança. Hoje, quando vai à televisão aparece com gravatas modernas, lisas (como as de José Sócrates) ou então com riscadas ou padrões da moda, longe do estilo das que usava quando era primeiro-ministro.

Nessa manhã, Fernando Lima, o eterno assessor de imprensa (ex-director do Diário de Notícias e antigo assessor de Martins da Cruz nos Negócios Estrangeiros), faz-lhe o resumo de imprensa na sala da suíte. Pelo janelão vê-se a praia carioca. Enquanto está em campanha, tal como em São Bento, Cavaco não perde tempo a ler jornais. O assessor recebe por fax ou email as resenhas que uma equipa prepara na sede de candidatura, em Lisboa.

Lima senta-se ao lado de Cavaco, vai passando as folhas, mostra fotocópias com as primeiras páginas dos principais jornais, menciona os títulos, resumindo as notícias em voz baixa: “O Soares diz que só vai cumprir um mandato, o Jerónimo foi aplaudido quando disse lagarto, lagarto, lagarto, ao referir-se à sua possível eleição…”

Cavaco, naquele domingo, nem perdeu com os jornais os tais cinco minutos que entraram para a mitologia da política portuguesa. No dia anterior, tinha visto a manchete do Expresso sobre a alegada intenção dos socialistas de demitir o procurador-geral da República, Souto Moura, e na mesma folha vinha estampada a fotocópia da Nova Gente com a capa a mostrar a noiva de José Sócrates. Lima só falou a Cavaco da primeira, mas ele não pôde deixar de ter reparado na segunda…

“As notícias, vejo-as rapidamente, porque percebo logo do que se trata”, admite Cavaco à SÁBADO. “Com atenção, só leio mais tarde alguns artigos de opinião.”

Por vezes, Lima faz os resumos enquanto ambos caminham para o carro. São uma equipa entrosada: Fernando sabe o que interessa ao chefe ouvir; Cavaco confia no que ele está a dizer. Não perdem tempo. Numa dessas vezes, mostrou-lhe um estudo da Marktest, que o colocava na cauda do ranking das notícias sobre os candidatos, desde que abriram as hostilidades pré-eleitorais. “É pena que a cobertura não esteja a ser equitativa e haja tantas iniquidades no tratamento dos candidatos”, dispara Cavaco, embora a tabela seja liderada por Jerónimo de Sousa e Francisco Louçã.O assessor de imprensa é uma peça fundamental no entourage cavaquista. O fiel Lima passou 10 anos em São Bento, sob ataque cerrado da imprensa, a evitar fugas de informação e a proteger o “professor”.

Quando, na sexta-feira, dia 18, soube a notícia da morte do sargento português no Afeganistão, Lima e Cavaco acertaram de forma breve a maneira de responder aos jornalistas: era preciso dar as condolências à família e, ao mesmo tempo, evitar responder à pergunta previsível sobre se as missões militares de Portugal no estrangeiro eram para manter.

Fernando Lima controla o que pode. A meio de um pequeno-almoço na Prefeitura de Santos, o assessor entrou em acção da forma mais discreta possível. Cavaco é magro, come pouco, mas mesmo assim tem desejo de alimentar. Quando ia com o prato com uma sanduíche de presunto na mão, Lima segredou-lhe: “Professor, não coma!” Estavam apontadas pelo menos três câmaras de televisão e outras tantas fotográficas.

Há lições que nunca se esquecem: 10 anos depois do vexame por que passou a encher a boca de bolo-rei diante dos jornalistas para não responder a uma pergunta, a cena não podia repetir-se. O pão servia de enfeite protocolar, Cavaco não comia, o prefeito também não, mas o resto do povo e os caciques locais regalavam-se.

Ao descontrair, o candidato não resistiu e provou um pouco do presunto, o que obrigou Fernando Lima a deter o gesto de um fotógrafo mais afoito: “Não fotografe o professor a comer!”

A seguir, as questões dos jornalistas. Os portugueses queriam que comentasse a actualidade, os brasileiros que explicasse o que viera fazer ao Brasil. “Fernando, há alguma mensagem?”, silvou Cavaco ao colaborador. Lima tem uma ideia do que os jornalistas querem saber e dá sugestões sobre a mensagem que Cavaco pode ou deve passar aos media naquele dia. Desta vez, aconselhou-o a manter o tom do discurso que tinha há um par de dias.

Cercado por mais de uma dezena de repórteres, acabou por ser surpreendido com uma pergunta que teve uma das raras respostas mal preparadas: como insiste na ideia de ser um candidato suprapartidário, uma jornalista confrontou-o com a presença permanente de José Cesário, deputado do PSD, na comitiva. Cavaco respondeu que não havia deputados de outros partidos que representassem os portugueses fora da Europa, referindo que se houvesse um parlamentar de outra cor seria bem-vindo.

Porém, José Cesário, ex-secretário de Estado das Comunidades Portuguesas no Governo de Durão Barroso, conhece aquele terreno como poucos e tinha viajado dois dias mais cedo para preparar a visita de Cavaco ao Brasil. Aliás, já estava à espera dele junto à porta do avião quando o candidato aterrou. Dificilmente um deputado do PS teria gentilezas assim.

A presença do PSD é evidente na máquina cavaquista: os dois técnicos que viajaram de Lisboa para recolher as imagens que vão ser usadas nos tempos de antena são os mesmos que trabalham habitualmente para o partido; e o organizador do mega-almoço no Rio de Janeiro, com mais de mil pessoas, é o líder do PSD local.

APESAR DO ESFORÇO para evitar ir a jogo sempre que o adversário o tenta provocar, a sombra dos ataques de Soares paira em permanência sobre a campanha. Finalmente, quando à entrada para o almoço com a comunidade portuguesa em São Paulo Cavaco lhe responde, Soares, em Lisboa, exulta. “Estou nesta campanha para esclarecer os portugueses. Não para desconsiderar ou insultar os outros candidatos. Sou uma pessoa educada e respeitadora e penso que é isso que se exige a um Presidente da República. Por isso, ninguém espere faltas de respeito em relação aos outros candidatos.”

Este é Cavaco, versão 2005: chama malcriado a Soares sem o nomear, como faria um político profissional que lidera uma corrida eleitoral. Na campanha presidencial de 1995/1996, no entanto, não só nomeava Jorge Sampaio, acusando-o de esquerdismo e de nunca ter feito nada pelo País, como era ele quem lançava os ataques tradicionais dos que correm em segundo lugar.

Em 10 anos, muito mudou, menos a atitude de Cavaco a falar para a “cortina de jornalistas”, como ele diz, que lhe barra a passagem e o fustiga com perguntas. Então sim, é em momentos como este, debaixo dos holofotes das câmaras, que se revela tenso, mais do que quando discursa em público — porque a isso está habituado, afinal a vida de professor e de conferencista é falar para salas cheias de gente.

No ecrã da televisão aparece diante dos portugueses como um político cauteloso, que mede as palavras. Mas ali, entre tantos microfones e fios, há um homem que ainda não se habituou a esta pressão depois de 10 anos de semiausência. As mãos tremem ligeiramente, entrelaça os dedos uns nos outros, deixando cair os braços à frente do corpo e talvez não repare, mas é um polegar que o trai.

Provavelmente sem pensar, tem gestos incontroláveis, o nervosismo sai-lhe pelo polegar direito, que esfrega sistematicamente em movimentos circulares na palma da mão esquerda. Este tique é alternado com outro: roda as alianças de ouro que enfeitam o anelar — uma de casado, a outra das bodas de prata.

Ao contrário de Soares, não convive facilmente com a exposição do poder e ainda não se habituou ao fato de candidato. “Estou a rever a matéria”, confessa. Recepções e cocktails também não aprecia, nem ele nem a mulher, confessou-o várias vezes. A aversão é tal que nos últimos 10 anos só foi a um jantar oficial, com Xanana Gusmão, depois da independência de Timor.

Solicitado pela SÁBADO a comentar esta faceta, já que metade da vida de um Presidente é passada em cerimónias, almoços e jantares oficiais, Cavaco responde: “Far-se-á o que for indispensável”.

BANHOS DE MULTIDÃO, quanto a eles, teve o primeiro de muitos anos num almoço de domingo com cerca de mil apoiantes, na Casa de Vila da Feira, no Rio de Janeiro. Almoçou, discursou e, à saída, apesar das ordens ao microfone para os comensais permanecerem sentados, foi esmagado, empurrado, abraçado, levou palmadas nas costas, beijos repenicados; um homem abordou-o a chorar e a dizer que tinha feito 200 quilómetros só para o ver; posou em fotografias para famílias inteiras mais tarde recordarem; levantou as mãos e fez o V de vitória, como nos velhos tempos das maiorias absolutas.

Porque não levou seguranças para o Brasil, Maria também foi arrastada. Como não tinha os protectores que o defendem das turbas em Portugal, tanta palmada deixou-lhe as costas numa desgraça. Quando chegou à suíte, um cansaço tremendo abateu-se sobre ele. Preparou um banho de imersão e adormeceu na banheira.

Com os brasileiros não há nada a fazer, nem ordens a dar nem programas a seguir. Em Santos, o austero Cavaco Silva já tinha sido literalmente raptado duas vezes pelos portugueses que o conduziam de automóvel para encontros que eles tinham marcado à margem do programa oficial.

Primeiro, fintaram José Cesário, que recusara que Cavaco fosse visitar a família Santini, da Tribuna, um império de jornais, rádios e televisões do estado de São Paulo. Mas os emigrantes forçaram-no a ir à sede do grupo, obrigando Cavaco a recusar, ao próprio patrão dos media, a entrevista televisiva que estava a ser preparada no estúdio.

Ao contrário de Soares, que no seu périplo pelo Brasil, há uns meses, deu várias entrevistas a jornais e televisões, a equipa do ex-primeiro-ministro quis evitar que ele se pronunciasse sobre política interna brasileira e o escândalo do mensalão.

Logo a seguir, o mesmo Arménio Mendes, o magnata que guiava o Mercedes, fez questão de o levar ao Centro Português de Santos, à revelia de todo o staff. Tinha um rancho folclórico à espera e um discurso para ouvir. Quando chegou ao hotel, com a agenda atrasada, disfarçou a irritação, dizendo que ali tem de ter “flexibilidade”, para não ferir as sensibilidades locais e evitar que os seus apoiantes fiquem mal vistos.

Como na tal anedota que Cavaco Silva haveria mais tarde de contar no avião, à sua maneira, os luso-brasileiros fizeram ao rigoroso professor o mesmo que fariam ao comunismo. São incontroláveis. Nem o frio economista lhes resiste. “Venha o Cavaco que a gente abandalha ele...”

Artigo originalmente publicado a 25 de novembro de 2005.

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