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Economista crítica lentidão do Metrobus a transitar no Porto e Rui Moreira responde: "Pintem uma via bus"

Tomás Guerreiro 03 de março de 2026 às 15:46

Custou cerca de 76 milhões de euros e entrou em circulação a 28 de fevereiro deste ano. Economista crítica inoperância do transporte, o ex-presidente da câmara do Porto fala em "melhor dos dois mundos".

O investimento do Metrobus do Porto custou 76 milhões de euros ao Estado, 10 milhões de euros acima da estimativa inicial de 66 milhões. O serviço entrou em circulação a título experimental a 28 de fevereiro deste ano, mas só começará a funcionar em pleno a partir do dia 1 de abril. "Sempre deixei muitas críticas ao projeto. Este autocarro partilha grande parte do trajeto com os restantes automóveis, não ultrapassa os 30 quilómetros hora e passa muito tempo preso no trânsito, não serve o propósito", diz Gonçalo Pinto, economista, do Conselho Nacional da Iniciativa Liberal.

FERNANDO VELUDO / LUSA

O transporte vai circular em duas linhas, a segunda está em construção. A linha 1 vai da Casa da Música à Praça do Império. O problema acontece na Avenida Marechal Gomes da Costa, onde "o Metrobus usa a via da esquerda da faixa de rodagem, que não é exclusivamente dedicada a esse transporte, por isso o autocarro fica parado no trânsito. Os carros e outros autocarros também usam essa mesma via", explica ainda Gonçalo Pinto da Iniciativa Liberal.

Contactado pela SÁBADO, o ex-Presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, confessa-se responsável por essa decisão. "Nós, na altura, com os estudos internos encomendados pelo município, concluímos que não se justificava uma via exclusiva para o Metrobus na Avenida Marechal Gomes da Costa". Isto porque, explica o anterior autarca, substituído por Pedro Duarte do PSD, "essa avenida tem um fluxo de trânsito muito grande nos dois sentidos durante o dia. Dedicar um canal para um transporte que passa de 10 em 10 minutos ou de 15 em 15, criaria muita pressão e entropia. Procurámos o melhor dos dois mundos, não sei se foi conseguido", sublinha, contextualizando a decisão.

"Gastou-se 76 milhões de euros nesta obra, é o único método de transporte - à exceção do autocarro vulgar - para a zona ocidental do Porto. Foi um uso extremamente mau de recursos públicos", acusa, por sua vez, o membro da Iniciativa Liberal. 

Rui Moreira responde: "A Iniciativa Liberal deve endereçar essa crítica ao vereador da Mobilidade e dos Transportes da Câmara do Porto, Hugo Beirão Rodrigues, que é ele próprio da IL. Devem falar com ele - e a única coisa que ele precisa de fazer é pintar uma via bus e dedicá-la exclusivamente ao Metrobus".

A obra arrancou oficialmente em janeiro de 2023 e a infraestrutura ficou concluída em setembro de 2024, na Avenida da Boavista. O projeto foi totalmente financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência. "Demorou-se tanto tempo a fazer uma faixa "bus" como o tempo que demorou a construir uma linha de metro no Porto", afirma à SÁBADO Gonçalo Pinto, do Conselho Nacional da Iniciativa Liberal.

A frequência de passagem do metrobus do Porto, estimada em cinco minutos quando o projeto foi anunciado em 2021, será afinal de 10 minutos nas horas de ponta, de acordo com informação da Metro do Porto.

O transporte só começará a funcionar em pleno a partir de 1 de abril.

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