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É verdade que o Chega adicionou chuva falsa a um vídeo de Ventura para parecer que chovia "torrencialmente"
A Lusa Verifica comparou vários fotogramas dos mesmos momentos e constatou que, de facto, estava a chover, mas nas imagens de 04 de fevereiro foram adicionados artefactos para simular chuva mais intensa.
Estava a chover quando André Ventura carregou águas e leites para ajudar populações afetadas pela tempestade Kristin, mas é verdade que o Chega adicionou chuva falsa a um vídeo de resposta a quem questionou que estivesse a chover "torrencialmente".
André Ventura acusado de usar chuva falsa em vídeo promocional
TIAGO PETINGA/LUSA
Alegação: “neste vídeo do Chega eles puseram um filtro de chuva para parecer que estava a chover mais”
Numa publicação no Instagram, a 04 de fevereiro, a advogada Inês Rogeiro questionou-se se estaria “a ficar maluca” depois de ter reparado numa alegada manipulação digital num vídeo partilhado pelo Chega em resposta a um comentário de Maria Castelo Branco, na RTP Notícias: https://archive.ph/fGB0T. “Vou mostrar aqui uma série de coisas para que vocês me digam se eu estou a ficar maluca ou não. (...) Então e não é que o Chega, no seu Instagram, pôs um vídeo onde está a Maria Castelo Branco a gozar com o André Ventura por causa da cena da chuva e da água (...) e eles põem por baixo aquelas imagens daqueles dias, mas de repente, com imensa chuva à frente”, descreve a advogada. Inês Rogeiro acrescenta que para ela “é óbvio, neste vídeo do Chega, que eles puseram um filtro de chuva para parecer que estava a chover mais, especialmente comparando com as imagens daquele exato momento filmadas por outras pessoas.” “Para mim é manifesto. E eu queria só perceber se sou a única ou se toda a gente vê o mesmo que eu, porque na caixa de comentários desse vídeo não há ninguém que diga: malta, também estão a usar filtros de chuva, pelo amor de Deus”, remata a advogada na mensagem que já tem mais de 130 mil visualizações.Factos: o vídeo de reação do Chega foi claramente manipulado com chuva falsa
O vídeo referido por Inês Rogeiro foi publicado pelo Chega, no Instagram, também a 04 de fevereiro, com a mensagem: “continuar a proteger e a votar nos amigos do Sistema, entendemos que possa ser pelas palas ideológicas que usa; não ver uma chuva torrencial já nos parecem palas de outro tipo”: https://archive.ph/fWbqJ. Nessa publicação, já com mais de 515 mil visualizações, o Chega junta imagens de dois momentos, nomeadamente o comentário de Maria Castelo Branco no Notícia s Noite, de 03 de fevereiro, na RTP Notícias (https://www.rtp.pt/play/p16195/e906715/noticias-noite-1-a-edicao, após 33.22), a propósito de uma resposta de Ventura no programa Dois às 10, da TVI, na manhã desse dia, onde o candidato justificou as expressões de esforço numa iniciativa de campanha com o facto de estar a “chover torrencialmente”: https://archive.ph/EOvee (aos 03:00). O outro momento colocado sob as imagens da RTP Notícias é o vídeo divulgado por André Ventura a 30 de janeiro, onde o candidato surge a carregar águas e leites para uma carrinha, numa iniciativa solidária improvisada junto à Biblioteca Municipal de Espinho, onde tinham sido recolhidos bens para ajudar as populações afetadas pela tempestade Kristin: https://archive.ph/yiEek. A análise e comparação das duas versões desse momento, ou seja, das imagens publicadas a 30 de janeiro com as utilizadas no vídeo de reação ao comentário de Maria Castelo Branco, a 04 de fevereiro, revelam que estas últimas são diferentes, apresentando claros sinais de manipulação digital, nomeadamente a adição do que parece ser um filtro de chuva. A Lusa Verifica comparou vários fotogramas dos mesmos momentos dos dois vídeos e constatou que, de facto, estava a chover, por vezes até com alguma intensidade, mas nas imagens de 04 de fevereiro foram adicionados artefactos digitais a simular chuva mais intensa, elementos esses inexistentes nas imagens de 30 de janeiro. Através de uma ferramenta de comparação é possível identificar várias manchas esbranquiçadas verticais, sobretudo sobre zonas escuras como as costas de Ventura ou o interior da carrinha, claramente diferentes dos traços com diversas orientações deixados pela chuva real: https://www.diffchecker.com/image-compare/ZCUkp4OK/ (escolher opções ‘align images’, ‘auto align images’, fechar caixa, ‘zoom’ a 300% e comparar através do botão <>). Esses efeitos de chuva falsa surgem também num momento em que nas imagens não manipuladas não surge qualquer marca da chuva verdadeira dado que nesses instantes quem grava está já sob proteção da porta da carrinha, como é possível verificar através de outros vídeos (https://archive.ph/j6sbP): https://www.diffchecker.com/image-compare/lmqSosLb/ (escolher opções ‘align images’, ‘auto align images’, fechar caixa, ‘zoom’ a 300% e comparar através do botão <>). Além da comparação entre as duas versões, a análise fotograma a fotograma do vídeo de dia 04 demonstra que esses artefactos digitais permanecem imóveis em sequências de três fotogramas, o que não acontece com a chuva real também visível nas imagens, que muda de posição a cada fotograma.Contraditório: Chega insiste que “não subsistem dúvidas sobre a veracidade do material divulgado”
Numa primeira resposta à Lusa Verifica, o gabinete de comunicação do Chega esclareceu que “o vídeo em causa foi integralmente produzido sem recurso a qualquer ferramenta ou tecnologia de inteligência artificial.” Essa versão foi mantida após a Lusa Verifica ter solicitado acesso aos vídeos originais de 30 de janeiro e de ter enviado ao Chega vários fotogramas que demonstram a diferença entre as duas versões, nomeadamente a clara adição de um efeito de chuva artificial. Na segunda resposta, o Chega enviou vários vídeos, incluindo um que inclui duas das três cenas originais das imagens manipuladas, mas insistiu que “como é possível verificar pelos vídeos disponibilizados, não foi acrescentado qualquer elemento artificial às imagens divulgadas — designadamente chuva, efeitos visuais, artefactos ou qualquer outro conteúdo criado ou manipulado com recurso a inteligência artificial ou a meios informáticos semelhantes.” Para o Chega, “as imagens correspondem fielmente ao momento registado e retratam, de forma autêntica e integral, a entrega de donativos às vítimas da tempestade Kristin pelo candidato presidencial André Ventura”, pelo que “não subsistem dúvidas sobre a veracidade do material divulgado.” No entanto, um dos vídeos enviados reforça precisamente a análise da Lusa Verifica: as imagens originais facultadas pelo Chega não apresentam os artefactos digitais visíveis na versão publicada a 04 de fevereiro, no Instagram, que foi claramente manipulada com a adição de chuva falsa. Foi também essa a conclusão do Polígrafo, que concluiu que “as diferenças são evidentes: no vídeo editado há chuva ‘reta’ que se prolonga de três em três frames, ao contrário da chuva real (que desaparece ou que se move a cada frame)”: https://archive.ph/vXxgn. Além disso, acrescenta o Polígrafo, “plataformas como a Hive Moderation apontam para uma probabilidade de 70,3% de este ter sido manipulado digitalmente.” Este não foi o único episódio de utilização de imagens manipuladas digitalmente ou mesmo geradas por inteligência artificial por parte deste candidato presidencial. No dia 04, André Ventura partilhou uma imagem de uma jovem a criticar a ausência de ajuda internacional a Portugal: https://archive.ph/AngRS, https://archive.is/qolMa e https://archive.is/fXn7n. Várias ferramentas de deteção de IA apontam alta probabilidade da imagem ter sido gerada ou manipulada por IA (91,4% segundo a Hive Moderation) e a simples análise do cartaz permite perceber que aquela caligrafia imaculada, com as letras exatamente desenhadas da mesma forma, não corresponde a um cartaz real desenhado num contexto de catástrofe. A Lusa Verifica também questionou o Chega sobre a origem da imagem e da manipulação, bem como por que razão não foi assinalada como IA, mas não obteve respostas. Avaliação Lusa Verifica: Verdadeiro É um facto que estava a chover no momento em que André Ventura carregou águas e leites para dentro de uma carrinha durante uma iniciativa da campanha para as presidenciais, em Espinho, mas também é verdade que não era a “chuva torrencial” que o Chega inseriu digitalmente em alguns vídeos para parecer que estava a chover mais do que na realidade e do que está registado noutras publicações sobre o mesmo momento partilhadas anteriormente por André Ventura.Artigos Relacionados
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