Secções
Entrar

Direito de Resposta e Retificação de Jorge Peixeiro

12 de maio de 2026 às 17:04

A SÁBADO recebeu o seguinte direito de resposta em relação ao artigo "Atleta acusa selecionador de karaté de ameaças e insultos "

Jorge Peixeiro, Selecionador Nacional de Karate e Treinador do GMDMB e do Tokui Dojo, vem, ao abrigo do art.º 24.º da Lei 2/99, de 13 de janeiro, exigir a publicação da seguinte resposta à notícia “Atleta acusa selecionador de ameaças e insultos”, que de forma parcial e lesiva, visou atingir o seu bom nome e integridade profissional:

A peça publicada não é um exercício de informação, mas uma tentativa de exposição mediática desproporcional. Ao utilizar expressões descontextualizadas e "fontes" anónimas para sugerir vingança pessoal, a acusação abraçou o sensacionalismo. A peça assegurou-se de queixas de um atleta que se mostrou parcial, apresentando trechos de uma reunião privada como se de um "abuso" se tratasse, omitindo o desfecho e a devida contextualização.

Assenta a narrativa no testemunho de Afonso Venes, omitindo que o próprio, em sede de reunião privada, admitiu a sua conduta desleal e o papel sub-reptício na desestabilização do grupo. Ao dar voz a quem admitiu a culpa, a peça ignora que a "vítima" é o autor confesso de atos de insubordinação. A transcrição da reunião revela um atleta que, confrontado com as provas da sua conduta, capitula perante o visado. Afonso Venes afirmou textualmente: "Se me colocar na sua perspetiva, vou-lhe dar razão". Confrontado com o seu comportamento desestabilizador, admite: "Sim, tens razão. Não é que eu possa dizer nada contra isso porque é verdade".

Perante a gravidade das suas ações, o atleta remeteu-se a um silêncio reconhecendo que a mágoa do treinador é legítima em função da sua deslealdade. O artigo focou-se na crueza das palavras, mas sonegou ao leitor o contexto: uma conversa franca onde o visado ofereceu a oportunidade de se retratar e corrigir o comportamento. Mostrou-se ser a peça parcial, punindo o treinador pela firmeza da linguagem, enquanto esconde a confissão de culpa que deu origem à reprimenda. A narrativa de que o treinador o coagiu, ameaçou ou agrediu fisicamente outra atleta é uma narrativa sem factualidade subjacente e de manifesta ausência lógica.

Por seu turno, a tese de que a atleta Maísa Caridade sofreu "danos colaterais" por vingança é uma profunda falsidade. À falta de melhor argumento, o acusador monta uma narrativa romanceada para granjear destaque, colando uma questão interna de um clube a uma dimensão nacional por a atleta ser namorada do queixoso. Esta tese é uma construção ficcional que ignora o rigor do alto rendimento. As escolhas técnicas na Seleção Nacional são fruto de um trabalho colegial e multidisciplinar. A não inclusão da atleta baseou-se em critérios estritamente técnicos e de rendimento, validados pelo conjunto dos selecionadores de Kata e demais técnicos da estrutura federativa.

É sintomático da parcialidade a atribuição de destaque a fontes anónimas em vez de contactar os profissionais técnicos que fundamentaram a decisão. O Selecionador não expõe fragilidades físicas de atletas por respeito aos mesmos e à ética profissional. O aproveitamento do dever de reserva para sugerir culpa configura um atropelo deontológico inaceitável. Conforme resulta do comunicado da FNK-P de 6 de maio de 2026, as decisões de seleção são tomadas com "independência, isenção e objetividade".

Por último, é inadmissível a forma como o acusador trata processos disciplinares como se de condenações definitivas se tratasse. Num Estado de Direito, o inquérito é um instrumento de garantia e não um atestado de culpa. A notícia promove uma condenação em praça pública, atropelando a presunção de inocência e assumindo o acusador o papel de tribunal de exceção, promovendo apenas o atentado reputacional do visado.

O visado reserva-se no direito de adotar todas as medidas legais, cíveis e criminais adequadas para a cabal reposição do seu bom nome, honra e imagem profissional, afetados por uma narrativa parcial e desprovida de rigor.

Jorge Peixeiro

Artigos recomendados
As mais lidas