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Deputados socialistas de Coimbra denunciam atentado ambiental em Mira

16 de julho de 2018 às 14:55

Descargas de efluentes sem tratamento podem ser resolvidos com nova ETAR.

A construção de uma nova ETAR pode ser a solução para "o atentado ambiental que está a ocorrer em Mira", provocado por descargas de efluentes sem tratamento, admitiram hoje os deputados eleitos em Coimbra pelo PS.

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Foto: Correio da Manhã
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Foto: Correio da Manhã

"É uma solução que parece fazer sentido para terminar definitivamente com este problema, vamos esperar pelos estudos técnicos", resumiu na Praia de Mira o deputado Pedro Coimbra, que estava acompanhado pelos deputados Elza Pais e João Gouveia e por diversos elementos locais, entre os quais o presidente da Junta de Freguesia da praia, Francisco Reigota.

A delegação do PS visitou a Lagoa de Mira, Casal de São Tomé e a estação elevatória de Cochadas e Vala Real, entre a Freguesia de Mira e a Tocha, apontada como o foco de contaminação de águas e solos.

Os parlamentares tiveram ainda um encontro com um produtor de agriões que acusa a empresa Águas do Centro Litoral (AdCL) de efectuar descargas poluentes "através de um tubo de grandes dimensões" que faz ligação à ETAR (Estação de Tratamento de Águas Residuais) das Cochadas, situada no limite da Tocha (concelho de Cantanhede), a montante de explorações agrícolas.

Nos últimos meses têm ocorrido diversas descargas poluentes que contaminam águas e solos e que estão devidamente registadas em fotografia e vídeo. As imagens na fotogaleria acima são de Agosto de 2017. A empresa AdCL reconheceu já a existência de descargas temporária devido a situações de sobrecarga do sistema. "Estas medidas temporárias passaram a medidas matadoras", resume Francisco Reigota.

Os eleitos pelo PS admitem que a construção de uma nova ETAR entre Cantanhede e Mira (que encaminhará efluentes tratados para Ílhavo) pode ser uma solução definitiva, mas não põem de parte a hipótese de ser encontrada uma solução mais rápida e barata.

Para isso contribui o facto de nos últimos dias não ter ocorrido qualquer descarga poluente, na sequência de grande pressão pública sobre a AdCL. "Foi uma coincidência ou a empresa encontrou uma solução", perguntam os socialistas.

O deputado João Gouveia espera que a AdCL efectue e divulgue rapidamente os estudos técnicos, até porque a solução do problema ambiental pode passar "por uma intervenção que custe apenas alguns milhares de euros".

Quando surgiram os primeiros problemas, a Águas do Centro Litoral começou por lembrar que tem vindo investir na melhoria das condições nos municípios de Mira e Cantanhede, "tendo concluído [em Julho de 2017] uma empreitada que vem aumentar a capacidade das estações elevatórias EECT4 (Cochadas - Cantanhede), EES1 (Mira), EES2 (Lagoa - Mira) e EES4 (Gafanha do Areão - Vagos), através da alteração dos grupos de bombagem e quadros eléctricos, originando um aumento da capacidade de bombagem na ordem dos 15% a 20%".

Esta obra, explicava a empresa, "vinha mitigar" os problemas de aumento de caudal registado nos municípios de Mira e Cantanhede, até à construção de uma nova ETAR".

Mais tarde, Cantanhede e Mira receberam por parte da Águas do Centro Litoral (AdCL) a garantia de que vai ser antecipada a construção de uma ETAR quer servirá os dois concelhos, um investimento a rondar 12 milhões de euros. A mesma garantia foi dada pela empresa ao Governo.

A nova Estação de Tratamento de Águas Residuais deverá ser construída na freguesia da Tocha (Cantanhede), numa zona de fronteira com Mira, e tratará os efluentes dos dois concelhos que actualmente são encaminhados para a ETAR de Ílhavo, atravessando os concelhos de Mira e Vagos.

"É importante terminar com este atentado ambiental", reforça Pedro Coimbra, anunciando que os deputados do PS irão apresentar medidas no Parlamento para encontrar uma solução rápida.

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