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Como a SÁBADO encontrou um pedófilo online em seis minutos

Nuno Tiago Pinto 05 de maio de 2026 às 22:58

Um repórter da SÁBADO entrou em salas de conversação da Internet identificando-se como uma criança de 12 anos. Em apenas 6 minutos foi abordado por adultos para conversas sexuais. Um deles marcou um encontro à porta do Hospital Dona Estefânia, em Lisboa — e apareceu.

Quinta-feira, 24 de Maio. Um jornalista da SÁBADO entra numa sala de chat (conversação na Internet) sob a identidade de “Andreia Coelho”, uma suposta rapariga de 12 anos com a alcunha de Acoelha. Bonzinho31 só precisa de seis minutos para meter conversa. Às 15h50, escreve: “Olá coelhinha.” Ao quarto contacto pergunta a idade da criança — “12 anos” —, ao sexto revela que tem 31 e ao 10.º sugere continuarem a falar no sistema Messenger, onde podem trocar fotografias e conversar usando também uma câmara. “Gostava de ver como és”, justifica.

Repórter da SÁBADO abordado online para conversa sexual; encontro marcado perto do Hospital Dona Estefânia, em Lisboa DR

Às 15h56m28s uma imagem de António (nome fictício) surge no computador supostamente utilizado por uma rapariga de 12 anos — o homem também vê retratos de uma rapariga dessa idade, que lhe são enviados por “Andreia”. António mostra várias fotografias suas com a cara descoberta. Em algumas tem cabelo comprido. Noutras, curto. Em todas mostra as tatuagens que lhe cobrem o corpo. E leva apenas oito minutos até fazer a primeira pergunta íntima: “Já namoras?” A resposta é não. Quatro minutos depois: “E fizeste amor?” Aqui a resposta é mais contundente — “Não, credo” —, logo seguida por uma questão: “Porque perguntas isso?” “Para não perguntar directamente se és virgem”, responde António, que acrescenta: “Como deves imaginar, eu já não sou.”

Seguem-se pedidos de fotografias e perguntas sobre o aspeto físico e a morada de “Andreia”. António elogia a beleza da rapariga.

De uma forma quase banal, 28 minutos após o início da conversa, António sugere: “Posso ir conhecer-te amanhã?” A proposta chega acompanhada por um convite para um passeio no jardim e para trocar números de telemóvel. O homem não recua quando “Andreia” escreve “És muito mais velho do que eu” ou “Não sei se me deixam sair”. Ele revela que tem uma tatuagem mais íntima e pergunta: “Queres ver?”

Para além da troca de ficheiros, o Messenger permite que os utilizadores tenham contacto visual em tempo real através de uma webcam. Isso pode acontecer mesmo que só uma das pessoas possua o aparelho. É esse o caso. Problemas nas ligações fazem com que só à terceira tentativa a chamada de vídeo aguente o tempo suficiente para António ajustar a câmara, despir a roupa, exibir as tatuagens e masturbar-se perante alguém que julga ser uma menor de 12 anos.

Assim que a ligação termina, o homem de 31 anos pergunta a “Andreia” se tinha “ficado molhada”, combina um encontro para o dia seguinte às 11h30 e deixa o número de telemóvel para ela o conseguir contactar. A conversa durou 1h29m.

ANTÓNIO NÃO APARECE no local combinado à hora marcada. Mas após o envio de algumas mensagens SMS e dois telefonemas, combina novo encontro para as 13h30, num outro sítio escolhido por ele: a porta de saída do Hospital Dona Estefânia — uma unidade pediátrica —, em Lisboa. Está dentro do carro, estacionado numa faixa de rodagem com os quatro piscas ligados e fica à espera de “Andreia” durante quase 40 minutos. Nesse espaço de tempo é fotografado pela SÁBADO enquanto olha calmamente em redor pelos espelhos retrovisores. Depois, como a criança não aparece, ainda passa pelo local onde o primeiro encontro tinha sido combinado. Olha à volta e segue caminho.

Contactado pela SÁBADO, António admite ter falado com uma rapariga chamada “Andreia” através do Messenger. Começa por dizer que “não há problema nenhum porque não aconteceu nada”, garante que “não sabia a idade dela” — apesar de isso ter sido referido três vezes na conversa e de as fotografias mostrarem uma rapariga nova — e afirma que se soubesse “não o teria feito”. Confrontado com as contradições, desliga o telefone.

As autoridades conhecem bem os perigos que os mais novos correm se utilizarem a Internet sem cuidado. Depois de a SÁBADO relatar o sucedido com António e outros casos, a responsável pela secção de crimes de alta tecnologia da Polícia Judiciária, Rosa Mota — que conduziu a investigação do processo de pedofilia na Casa Pia —, confirma que bastam alguns minutos em salas de chat para um menor ser abordado.

No entanto, a lei portuguesa não permite aos polícias agir como as autoridades norte-americanas, espanholas, suíças ou alemãs, que têm investigadores a fazer-se passar por menores em salas de conversação. “Não actuamos com agentes infiltrados na Internet. Para isso teria de ser criada uma legislação própria.” E dá o exemplo dos Estados Unidos: “Os agentes não podem falar de sexo, têm de dar a iniciativa ao indivíduo com quem estão a ter uma conversação para terem a certeza de que estão a falar com um pedófilo.”

Nas conversas que manteve, a SÁBADO nunca tomou a iniciativa de abordar o tema sexo, pelo contrário. E fez sempre questão de sublinhar que os interlocutores estavam a falar com alguém menor de idade. A iniciativa esteve sempre do outro lado. Nas conversas e na marcação de encontros.

Segundo a lei portuguesa, um adulto que mantiver uma conversa de natureza sexual com um menor de 14 anos está a cometer um crime e pode ser condenado a três anos de prisão. “Abuso sexual não é só o acto em si. É também o aliciamento para o acto. Considera-se que há uma exploração da criança, que não tem discernimento ou maturidade para apreciar o que é certo ou errado”, explica o advogado António Pinto Pereira.

No entanto, este género de abusos pode passar sem punição. “São crimes com penas muito baixas e normalmente substituídos por uma multa. Não se percebe, já que a posse de uma quantidade mínima de cocaína dá cinco anos”, diz o advogado.

MAS AS LIMITAÇÕES DA LEI não impedem a PJ de agir preventivamente. “Investigámos o caso de uma miúda que entrou numa sala de chat e que depois passou a falar no Messenger. A certa altura o indivíduo tentou uma abordagem: enviou-lhe CDs de música como presentes e quis marcar um encontro. Só que o pai apercebeu-se, denunciou o caso e impedimos o abuso”, conta a investigadora Rosa Mota.

Mesmo quando não chega a existir encontro físico, há casos graves. “Sei de uma criança de 8 anos a quem pediram para se despir em frente a uma webcam e ela fê-lo.”

Os pais têm a responsabilidade de prevenir estas situações. “Devem dizer às crianças para não dar dados pessoais ou colocar fotografias na Internet. Para além disso, convém restringir os sítios que visitam e controlar as conversas, não os deixar horas a fio na Internet num espaço isolado — ou seja, o computador deve estar num local acessível à família”, aconselha Rosa Mota.

Tito de Morais, fundador do sítio MiudosSegurosNa.Net, vai mais longe: “Os pais às vezes têm dificuldades em impor o que acham correcto e em lidar com as situações porque não as conhecem.” E dá o seu próprio exemplo. “Passei a usar o Messenger quando o meu filho me pediu para o instalar. Temos de os acompanhar porque senão eles falam de coisas que não percebemos.”

Acima de tudo, os especialistas aconselham as crianças a não divulgar dados pessoais como a morada e o número de telefone. Mas é inevitável fazê-lo, quer involuntariamente, quer para criarem uma simples conta de email ou uma página no hi5 (comunidade virtual da Net). “Ninguém se interessa por um miúdo que não tenha fotografias no hi5, se é que não gozam com ele por isso”, diz Tito de Morais. “E quem quiser obter esses dados consegue-os de uma forma dissimulada que a criança nem percebe. Elas acham que quem está do outro lado é de confiança.”

Augusto (nome fictício), 26 anos, encontra “Andreia” — a personagem de 12 anos criada pela SÁBADO —, numa sala de chat de acesso livre. Identifica-se como engenheiro e pergunta-lhe se está em casa. Depois convida-a para falar no Messenger. Entram em contacto às 12h59m51s do dia 24 de Maio. Ele precisa de apenas 38 segundos para fazer o primeiro elogio físico: “És uma giraça.”

Mais tarde promete inscrevê-la num casting para fazer figuração em novelas, onde poderia “ganhar 30 euros” por cada participação. Pede-lhe retratos de cara e de corpo inteiro. Mostra os dele — um homem moreno e de cabelo preto curto, com uma sweatshirt.

Os diálogos mais íntimos só começam na terceira conversa. “Não me importava de ser teu namorado”, propõe Augusto. “Mas sou muito nova, não?”, diz “Andreia”. Resposta pronta: “E qual é o mal?”

Nesta fase Augusto passa a ter 25 anos. E às 19h01m48s afirma: “Gostava de te conhecer, sabias. Acho-te bonita e simpática.” Pergunta onde ela mora — na Estefânia —, diz que às vezes passa nessa zona de Lisboa e propõe combinarem um lanche: “Mas [a tua mãe] nem precisa de saber, pois não?”

A quarta e última conversa acontece no dia 29 de Maio. Augusto escreve: “Tenho vontade de beijar a tua boca linda.” Tinham passado 41m05s. Nos 15 minutos seguintes, Augusto avança com a sugestão de um encontro no carro e depois “numa casa” que se comprometia a arranjar. Volta a perguntar a idade da rapariga – 12 anos – e durante 11m28s insiste em falar com ela ao telefone.

“Gostava de ouvir a tua voz.” “Podes confiar em mim”, assegura. A chamada dura cerca de 10 minutos e é feita a partir de um número privado – do outro lado da linha está uma jornalista da SÁBADO. Augusto descreve o que gostava de fazer com “Andreia”, em termos sexuais demasiado explícitos para serem reproduzidos – e tem o cuidado de lhe explicar como apagar o registo da chamada, para a mãe dela não ver.

De regresso à Internet, elogia-lhe a “voz doce” e promete enviar uma mensagem SMS no dia seguinte para combinar um encontro. Mas se não o conseguisse – como veio a acontecer– diz que gostaria de manter uma conversa erótica via telemóvel. Nunca o fez.

Dois dias depois, a SÁBADO consegue contactar este homem através do Messenger. Aparece online às 16h50m19s. Quando é confrontado com as conversas dos dias anteriores, demora alguns minutos a responder. Depois começa por dizer que “sabia” estar perante alguém mais velho e que nunca “se encontraria” com uma criança. Mais: até chamaria a atenção para o que a rapariga estava a fazer.

Na verdade, nunca o fez. E não lhe faltaram oportunidades. Afirma que não gosta de falar com crianças e que não foi ele que sugeriu um encontro – o que é falso, comoprovam as transcrições dos diálogos. Logo depois, desaparece: “Vou ter que sair. Depois falamos.”

Tal como Augusto, foram vários os homens que quiseram ter conversas de teorsexual com quem julgavam ser uma rapariga menor. Alguns contentavam-se emfazê-loviaMessenger.Outros insistiam em usar o telemóvel.

Todas estas conversas são demasiado explícitas para serem reproduzidas na totalidade. Na maioria das vezes em que “Andreia” foi contactada nas salas de chat do Clix ou do mIRC – e foram muitas –, a primeira reacção de quem estava do outro lado era de espanto ao saber que estava perante alguém com 12 ou 13 anos. A conversa ou terminou de imediato ou decorreu durante alguns minutos com alertas sobre os perigos da Internet para os mais novos. Mas em algumas a idade não foi um problema. Tornou-se até uma  atracção.

O convite para uma conversa via Messenger surge quase naturalmente. E parece inofensivo a uma criança. Não há motivo porque não aceitar. Aquele contacto é apenas virtual e o antigo conselho “não fales com estranhos” não é aplicável na Internet, onde o objectivo é precisamente conhecer pessoas novas. “Há cada vez mais salas de chat e mais crianças a participar nisto”, alerta Manuel Coutinho, do Instituto de Apoio à Criança. “As crianças são animais sociais”, explica Tito de Morais. “O número de contactos funciona para elas como um indicador de popularidade. E elas aceitam qualquer pessoa que lhes peça para adicionar o seu contacto e põem-lhe o rótulo de ‘amigo’.” O problema é que às vezes não são amigos. São predadores. Com um só objectivo: ter conversas e até encontros sexuais com menores.

O GABINETE DE RELAÇÕES PÚBLICAS do portal Clix disse à SÁBADO que “a exemplo dos outros operadores e tal como prevê a legislação em vigor, não mantém qualquer registo dos conteúdos trocados entre utilizadores nem vigia os mesmos”. Já a PTnet, o operador utilizado pela SÁBADO para entrar numa sala de chat do IRC, não respondeu a qualquer questão, considerando que eram “irrelevantes”. As finalidades lícitas de ambas as empresas nunca estiveram em causa. A crescente importância da Internet como um instrumento para potenciais pedófilos atraírem crianças para encontros sexuais tem sido demonstrada nos Estados Unidos, num programa de uma das mais prestigiadas televisões norte-americanas. Em To Catch a Predator (Apanhar um Predador), exibido pela MSNBC, várias pessoas fazem-se passar por menores entre os 12 e os 14 anos nas salas de chat mais populares. Aí mantêm conversas como maior número de pessoas possível e mostram-se disponíveis para encontros sexuais com quem o sugerir – o mesmo método seguido pela SÁBADO. Dizem--se sozinhos e marcam encontros em casa. Quando os predadores sexuais entram no edifício, em vez de encontrarem um menor deparam-se com o jornalista Chris Hansen, que os questiona sobre o motivo da sua visita. Uns fogem de imediato, alguns começam por negar estar ali para um encontro com um menor, mas outros admitem-no após alguns minutos. Todos sabem estar perante um grande problema nos Estados Unidos é crime manter uma conversa de teor sexual com alguém que se apresenta como menor – mesmo que não o seja. Desde que o programa começou, há cerca de três anos, mais de 200 pessoas já foram detidas. Entre elas encontram-se médicos, professores, militares e até um rabi.

Há outros casos parecidos. Em 2003, a norte-americana Stephanie Good, em colaboração como FBI, fez-se passar por uma rapariga menor na Internet. Os seus esforços levaram à detenção de vários predadores sexuais e à publicação do best seller Exposed: TheHarrowing Story of One Woman’s Fight AgainstChild Sex Predators.

Em Portugal não há dados sobre o assédio sexual a menores na Internet. Mas segundo o estudo Online Victimization of Youth, realizado em 2005 pelo Centro de Pesquisa de Crimes Contra Crianças, da Universidade de New Hampshire, nos Estados Unidos, cercade9% dos utilizadores jovens da Internet, entre os 12 e os 17 anos, foram sujeitos a algum género de assédio sexual. Mais: 13% das crianças tiveram solicitações sexuais e 34% viram material sexual que não procuraram. Apesar dos riscos cada vez maiores da Internet, outros estudos indicam que a esmagadora maioria dos abusos acontecem de outra forma: 90% envolvem familiares ou pessoas conhecidas.

Uma outra pesquisa realizada no Reino Unido identificou ao pormenor as técnicas utilizadas por pedófilos para aliciarem jovens na Internet. De acordo como estudo A Typology of Child Cyberexploitation and OnlineGrooming Practices, realizado pela Unidade de Pesquisa do Ciberespaço, da Universidade de Central Lancashire, o comportamento padrão de um predador sexual passa por observar as conversas durante algum tempo e depois apresentar-se a uma determinada criança. Aqui pode fazer-se passar por um jovem da mesma idade ou identificar-se como adulto. Seguem-se cinco fases.

A primeira é a criação de laços de amizade, que passa por manter conversas privadas em programas de mensagens instantâneas ou através da troca de mensagens SMS. Em seguida o pedófilo tenta saber mais sobre a vítima e criar a ilusão de que é o seu melhor amigo. Na terceira fase procura saber onde está o computador que a criança usa e se mais alguém tem acesso a ele. Depois tenta estabelecer uma relação de confiança para manter as conversas em segredo. A última fase começa com simples perguntas como “já namoraste?” ou “és virgem?”. Daí passa-se para a troca de imagens e para a marcação de encontros.

O ESTUDO INDICA QUE nem todas as conversas seguem esta sequência. Nem demoram o mesmo tempo. No caso de “Andreia”, por exemplo, foi preciso menos de uma hora e meia para a marcação do primeiro encontro. Já no caso de “Ana Sofia” – uma segunda identidade fictícia criada pela SÁBADO para esta investigação –, o contacto prolongou-se por alguns dias, embora a sugestão de um encontro tenha ocorrido logo na primeira conversa.

O contacto começa numa sala de chat pública. Rapidamente surge a proposta de continuar a conversa no Messenger. É um diálogo longo. Tem início às 12h10m34s e só termina às 15h02m56s do dia 22 de Maio. Há tempo para quase tudo. João (nome fictício) apresenta-se como militar, pergunta se “Ana” tem namorado, pede-lhe fotografias, elogia-as, tenta saber se a miúda que julga ter 13 anos tem namorado e revela que ele, aos 22 anos – diz ter agora 24–, andou com uma rapariga de 16. Sugere uma relação “às escondidas por causa da idade” e 48 minutos após o início da conversa envia uma fotografia em que aparece seminu, com a máquina fotográfica a tapar a cara, com a indicação de que devia ser guardada onde ninguém a visse. E tenta que “Ana” lhe envie uma imagem parecida. Para isso chega a perguntar se a rapariga tem “telemóvel com câmara”.

JOÃO TENTA SABER MAIS sobre a família e os hábitos de “Ana”, antes de começar a sugerir contactos íntimos entre os dois. Começa com “beijos na barriga”, “nas costas” e “nos seios”. Envia outra fotografia seminu, dá o número de telemóvel e sugere um encontro para terem relações sexuais. Descreve o que faria nesse encontro e o que gostava que “Ana” lhe fizesse. Fantasia com a roupa que a jovem tem vestida e confessa: “Estou a ficar mesmo excitado.” Mais uma vez, muitos dos diálogos são irreproduzíveis pela sua elevada carga sexual.

Perante a impossibilidade de arranjarem uma casa para estarem à vontade, João não se atrapalha. Planeia um encontro para daí a três dias, em frente à estação do Oriente, em Lisboa, onde poderia apanhar“ Ana” de carro e seguir para “uns parques desertos perto da Expo”. E avisa : “Vê lá o que trazes vestido porque não pode ser nada complicado.” A conversa do dia seguinte serve sobretudo para João revelar pormenores da sua vida e tentar saber mais sobre a família de “Ana”. Não há conversas de teor sexual. Os contactos através do Messenger não foram possíveis nos dias que se seguiram e o encontro acaba por não se realizar. João justifica-se com dificuldades no trabalho, num email enviado no dia em que o encontro estava previsto. Ainda assim, segue-se uma outra conversa com diálogos de cariz sexual. Confrontado pela SÁBADO, João garante que não costuma conversar“ com pessoas desta idade sobre estes assuntos”. Fê-lo porque sentiu que “Ana” talvez quisesse “gozar” com ele. Mais: afirma que nunca se encontrou “com menores”.

É provável que todos os intervenientes nesta reportagem continuem a frequentar salas de chat. Sob a mesma, ou com uma nova identidade. Nada os impede. Nas palavras da coordenadora da PJ Rosa Mota, “a Internet é muito boa, mas também tem uma parte negativa muito má: se há adultos que são enganados, o que não acontece com crianças?”

Artigo originalmente publicado a 6 de junho de 2007.

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