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Câmara de Lisboa repudia vandalização de estátua de Natália Correia

Lusa 22 de abril de 2026 às 13:03

Na fotografia que acompanha a nota podem ver-se sobre o rosto da poeta cruzes suásticas, símbolo apropriado pelo regime nazi.

A Câmara Municipal de Lisboa (CML) repudiou esta quarta-feira, por proposta do PS, a vandalização da estátua em homenagem à escritora e deputada Natália Correia, na freguesia de São Vicente.

Escritora portuguesa Natália Correia DIREITOS RESERVADOS

O voto de repúdio apresentado pelo PS na reunião privada do executivo camarário foi aprovado por unanimidade, indicou fonte oficial à Lusa.

No sábado, numa nota de repúdio publicada na rede social Instagram, André Biveti, presidente da junta onde se encontra a estátua, na zona da Graça, comunicou que o busto de Natália Correia tinha sido vandalizado "com simbologia de ódio", ao que reagiu com "profunda indignação".

Na fotografia que acompanha a nota podem ver-se sobre o rosto da poeta cruzes suásticas, símbolo apropriado pelo regime nazi.

No voto de repúdio pela vandalização da estátua e pela proliferação de mensagens de ódio, o PS considerou tratar-se de um ato de "cobardia que atenta contra o património público e a memória democrática".

"Longe de ser um ato isolado de delinquência, este episódio parece, pois, inserir-se num padrão preocupante de propagação de símbolos e mensagens de ódio ligadas aos regimes nazis e fascistas", salientou a vereação socialista, lembrando que, segundo o Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) referente a 2025, as participações por crimes de ódio em Portugal aumentaram 6,7% face ao ano anterior.

O PS sublinhou ainda a "defesa intransigente dos direitos das mulheres, da cultura e do património" que pautaram a atuação de Natália Correia, que "ergueu a sua voz, firme e sem medo, contra o autoritarismo moralizador que ainda ensombrava o país, e contra o qual devemos continuar vigilantes".

Fundadora d'O Botequim, bar e espaço cultural aberto em 1971 no Largo da Graça, Natália Correia, que foi também deputada eleita pelo PPD (1979-1983) e pelo PRD (1987-1991), é um dos maiores nomes da literatura portuguesa no século XX.

A estátua de homenagem foi inaugurada em 2023, por altura da celebração dos 100 anos de nascimento da escritora açoriana.

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