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Mau tempo: Dez estações meteorológicas registaram rajadas de vento superiores a 120 km/hora

Lusa 29 de janeiro de 2026 às 15:06

Na lista do IPMA seguem-se rajadas registadas em Ansião, no distrito de Leiria, (146 km/h, às 05:30), Leiria/aeródromo (142 km/h, às 05:00), Castelo Branco (137 km/h, às 06:20), Fóia, na Serra de Monchique, (135 km/h, às 06:40).

Dez estações meteorológicas em Portugal continental registaram na quarta-feira rajadas de vento superiores a 120 quilómetros por hora, tendo a mais intensa atingido os 208,8 km/hora em Degracias, no concelho de Soure.
Estrada nacional 242, que liga Marinha Grande a Nazaré, condicionada depois da passagem da depressão Kristin CARLOS BARROSO/LUSA
A rajada máxima associada à depressão Kristin foi registada às 05:40 de quarta-feira na Estação Meteorológica da Comunidade Intermunicipal da região Coimbra (CIM), situada no Parque Eólico das Degracias, disse à Lusa uma fonte oficial da CIM. Contactada pela Lusa, uma fonte do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) afirmou que esta situação está reportada no seu ‘site’, mas sublinhou que os dados ainda carecem de validação oficial. “Trata-se de uma estação da Comunidade Intermunicipal de Coimbra, integrada na nossa rede”, mas, explicou, nem sempre as estações operam exatamente com os mesmos parâmetros e, para efeitos de comparação, é necessário garantir que as condições são equivalentes. A mesma fonte admitiu que a rajada registada em Soure poderá ter sido a mais forte até ao momento, mas ressalvou que poderão existir outras, eventualmente ainda mais intensas. Observou também que a estação se encontra a 524 metros de altitude, um fator que impacta “muito em termos de vento”. Exemplificou que uma estação localizada a esta altitude pode registar rajadas nesta ordem, enquanto outra localizada a uma cota inferior, próxima de uma zona habitada, pode registar valores mais baixos, mas ter um impacto muito maior na vida das pessoas. Até ao momento, a rajada mais forte validada pelo IPMA foi de 149 km/hora no Cabo Carvoeiro, Peniche, às 04:00 de quarta-feira, no entanto a base aérea de Monte Real registou uma rajada de vento com 176 quilómetros por hora pelas 5:00 e com 178 quilómetros por hora pouco tempo depois. Na lista do IPMA seguem-se rajadas registadas em Ansião, no distrito de Leiria, (146 km/h, às 05:30), Leiria/aeródromo (142 km/h, às 05:00), Castelo Branco (137 km/h, às 06:20), Fóia, na Serra de Monchique, (135 km/h, às 06:40). Em Vale Donas, em Tomar, foi registada uma rajada de vento de 133 km/h, às 05:30, no Cabo da Roca, 131 km/h, às 03:00, Santa Cruz, em Torres Vedras, 128,9 e Cavalos de Caldeirão, em Loulé, 120,2 km/hora, segundo dados publicados no ‘site’ do IPMA consultados pela Lusa.
Em comunicado, o IPMA explicou a génese da tempestade Kristin, cujo principal impacto resultou da intensidade do vento. “Um núcleo depressionário que se formou e desenvolveu no bordo sul da tempestade Joseph, sofreu um processo de ciclogénese explosiva a oeste da costa ocidental portuguesa (com rápida e significativa diminuição de pressão atmosférica no seu centro)”, no período compreendido entre as 21:00 de terça-feira e as 03:00 quarta-feira. Este núcleo foi nomeado pelo IPMA como tempestade Kristin. Segundo o instituto, “esta tempestade sofreu intrusão de ar estratosférico, bastante seco, que ao entrar na sua circulação condicionou e determinou as suas características, que foram as de uma tempestade de vento”. “As correntes de ar seco vão evaporando e sublimando hidrometeoros (água e gelo), presentes na massa nebulosa, o que contribui para que se tornem progressivamente mais frias, densas e, consequentemente, acelerem à medida que vão descendo”, explica. “Em alguns casos, como no presente, essas correntes de ar podem alcançar a superfície junto à extremidade sul da massa nebulosa, onde produzem episódios de vento muito forte, em geral durante poucas dezenas de minutos, mas, frequentemente, bastante destrutivos”, sublinha. O IPMA acrescenta que o padrão observado por satélite e radar meteorológico está historicamente associado a este tipo de correntes, designadas pela comunidade científica como correntes de jato do tipo ‘Sting’ (do inglês, “ferrão”), fenómeno claramente identificado neste caso. “Em geral, a área onde o vento mais forte ocorre corresponde a um corredor relativamente estreito à superfície, da ordem de poucas dezenas de quilómetros”, explica. A passagem da depressão Kristin deixou um rasto de destruição, causando pelo menos seis mortos, vários feridos e desalojados.
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