Um perdedor
João Pedro George
17 de outubro

Um perdedor

O alcoolismo é simultaneamente o palco e o produto de uma guerra civil psicológica que se instala dentro do ser humano. Nasce e alimenta-se de factores e transformações sociais.

É PRECISO QUE CERTAS COISAS doam muito para que as consigamos escrever. O drama por trás do alcoolismo do meu padrasto, que revelei na semana passada aos leitores da SÁBADO (onde lhe chamei pai, porque com ele convivi desde a minha infância e até à sua morte), remete para esse espaço de carência ou de perda que só pode ser transformado em palavras depois de vários quilos de sofrimento.

O ponto essencial não reside tanto em escrever ou não sobre a própria vida, coisa que fazemos sempre de um modo ou outro. A questão é em que grau, com quanto envolvimento pessoal se faz isso.

Retomar pela escrita o nosso passado mais íntimo, as raízes em que mergulhamos, constitui igualmente um desafio à capacidade de vermos o geral no particular, de estabelecermos correlações entre a experiência comum e a equação individual.

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