O apagão da nossa inteligência
Pedro Marta Santos
17 de outubro

O apagão da nossa inteligência

Gostamos de ser limitados e dirigidos na nossa maneira de comprar, pensar e sentir. Eggers chama-lhe “o complexo industrial da vergonha”.

O APAGÃO DO FACEBOOK, do Instagram e do WhatsApp durante seis horas na semana passada foi a apocalipse nau de milhões de utilizadores, cuja vida começa numa Instastory e termina num like. Mas os fanáticos, os adictos e os maluquinhos são a ponta do icebergue digital. Na semana em que mais uma ex-funcionária de topo da megacorporação de Zuckerberg denunciou omissões, práticas e algoritmos que não só não impedem como incentivam a baixa autoestima dos utentes mais frágeis e o conflito aberto entre todos eles, a cabeça do monstro em que o Facebook e o Instagram se transformaram não tem o rosto de fósforo trémulo do estudante de Harvard que só queria conhecer miúdas, a face de uma teenager anorética ou a fronha do ex-juiz Rui Fonseca e Castro. A cara do monstro é a nossa, a dos que trocamos a privacidade pelo conforto e pela preguiça.

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