Sábado – Pense por si

David Moreira
David Moreira
17 de novembro de 2023 às 16:52

David ou Golias?

Não deixem que a nossa sociedade fique associada ao apagamento do povo palestiniano. Dia 18 de Novembro, milhares de portugueses de todas as cores políticas vão juntar-se de forma pacífica para marchar da Praça do Município em Lisboa à nossa Assembleia da República.

Caro Leitor, abro com o inevitável. São 12 mil as mortes provocadas directamente por Israel desde 7 de Outubro. Como pôr isto em perspectiva? Aqui ficam 4 comparações. São 30 Wiriyamus, um Srebrenica e meio, 4 torres gémeas, e mais que as mortes de tropas portuguesas em 13 anos de Guerra do Ultramar - o maior trauma colectivo do nosso país no século passado - ultrapassado em apenas 5 semanas. Parabéns Israel. Parabenizado que está o nosso parceiro económico e cultural mais especial, que já afirmou oficialmente querer repetir a festa em Beirute com o previsível impacto na popularidade do Hezbollah, há que perguntar, porque continuamos cúmplices de tamanho desdém pelo direito internacional?

20 anos depois da lamentável cimeira das Lajes que nos colou à destruição do Iraque, queremos manter o silêncio? Queremos ter mais duas décadas de Atocha, Liverpool Street, Bataclan e Charlie Hebdo? Com a história de anti-semitismo que temos neste continente, queremos mesmo expor as nossas comunidades judaicas ao comportamento descontrolado de um estado que deliberadamente mistura a religião milenar com um projecto político com menos de 120 anos?

Neste nosso país que, bem ou mal, procura sarar as feridas do seu próprio passado, queremos ficar associados a quem desrespeita as convenções de Genebra? A quem ignora tratados sobre minas antipessoal, proliferação nuclear e uso de fósforo branco? Queremos deixar que um estado, menor que o Alentejo e recheado de colonos que se julgam donos de direitos divinos, possa minar a nossa relação com 200 milhões de árabes nos 5 países do Norte Africano? Esquecemos-nos do enorme e sangrento esforço de contenção de movimentos Islamistas feito por estes nossos vizinhos?

É a minha profunda convicção que, expostos aos factos e à própria política declarada de Israel, este tema ultrapassa as divisões de esquerda e direita e bate de frente com os valores dos cidadãos portugueses. Está na hora de tornarmos esse sentimento claro. Está na hora de dizer ao estado de Israel que se quer continuar a tentar apagar o povo palestiniano, tanto em Gaza como na Cisjordânia, vai ter de o fazer orgulhosamente só. 

Não podem ser David e Golias ao mesmo tempo.

Termino com um apelo, não deixem que a nossa sociedade fique associada ao apagamento do povo palestiniano. Dia 18 de Novembro, milhares de portugueses de todas as cores políticas vão juntar-se de forma pacífica para marchar da Praça do Município em Lisboa à nossa Assembleia da República. Junte-se a nós. Pelo povo palestiniano, pelos judeus, pelo direito à Liberdade, à Justiça, e à Paz. Por toda a Humanidade.

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