A arrogância do atraso
João Pereira Coutinho Politólogo, escritor
14 de julho de 2018

A arrogância do atraso

Sempre me repugnou interferências abusivas do Estado na vida de cada um. Se o meu vizinho, homem de barba rija, se identifica como mulher, boa noite e boa sorte. O problema é que a mudança de género, ao contrário do que se diz por cá, não é apenas um acto de escolha ou liberdade pessoal.

Será que os Monty Python teriam lugar na televisão inglesa de hoje? Dificilmente, afirmou um dos chefes da BBC. Os Python resumiam-se a seis homens brancos com educação em Oxbridge. O Reino Unido mudou entretanto; é preciso "incluir" na programação televisiva as mil minorias que compõem o cenário.

Compreensivelmente, alguns membros da banda reagiram. E Terry Gilliam declarou: a partir de agora, o meu nome é Loretta; sou uma lésbica negra em transição.
A piada é boa. Mas, piadas à parte, a pergunta é relevante: se o género depende de um acto de identificação pessoal, como negar a negritude e a homossexualidade desta Loretta? Aliás, como negar o que quer que seja a quem quer que seja?

Marcelo Rebelo de Sousa respondeu a esta questão recentemente: mudar o género no registo a partir dos 16 anos, só com relatório médico. O parlamento compreendeu as reservas de Belém e prepara-se esta semana para discutir e votar nova lei.

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