Pelos cabelos
João Pedro George
18 de julho

Pelos cabelos

Os estádios de futebol são um laboratório privilegiado para perceber a evolução social dos cabelos. Na década de 1960, os jogadores tinham todos cabelos curtos, bem recortados à volta das orelhas. Seguiu-se a moda das patilhas e dos cabelos longos, como os de Müller ou Beckenbauer.

OS NOSSOS PÊLOS SÃO GERADORES DE SENTIDOS. Não apenas cumprem funções estéticas, utilitárias, funcionais ou ornamentais, como possuem um valor de comunicação (social, político, religioso, étnico), irradiam diferentes modelos de representação do mundo.

Estudar uma sociedade e uma cultura através da pilosidade humana não é um trabalho impossível, mas tem as suas complexidades, exige uma atenção aos seus códigos simbólicos, muitos deles altamente contraditórios, e aos seus significantes, quase sempre historicamente determinados.

A economia semiótica da nossa penugem é talvez mais evidente nos cabelos. Para os cristãos ou para os budistas, o cabelo rapado significa desapego material, e deixá-lo crescer, para os sikhs, é um sinal de força espiritual interior. Nas mulheres muçulmanas, a prática de ocultação do cabelo é um traço de modéstia.

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