A estética do horror
Pedro Marta Santos
27 de junho de 2017

A estética do horror

"O incêndio de Pedrógão Grande, que vitimou mais de 60 pessoas, gerou nova vaga de peças "noticiosas" com vozes-off à procura da lágrima como um esfomeado em busca de comida"

Há um momento na A Lista de Schindler (1993), de Steven Spielberg, sobre um episódio verídico no contexto do maior crime da história contemporânea, o Holocausto, em que o mágico de Cincinnati cede à estetização do horror, revelando-nos uma criança enfiada em esterco humano para se salvar dos nazis a apontar, como um anjo de Botticelli, para a luz que penetra pela abertura fora de campo. 33 anos antes, Gillo Pontecorvo filmou em Kapò uma cena de indescritível violência num campo de concentração recorrendo a um travelling de artístico barroquismo, gerando uma cause célebre entre a crítica quanto à barreira entre arte e pornografia. E estamos a falar de obras ficcionais.

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