O que faz subir Rui Rio nas sondagens
José Pacheco Pereira Professor
13 de janeiro

O que faz subir Rui Rio nas sondagens

O eleitorado que está cansado de António Costa e do PS vê em Rui Rio e no PSD uma alternativa que em tempos difíceis lhes é aceitável, mesmo que tenham antes votado no PS. É para este eleitorado que Rio fala com sucesso.

O que faz subir Rio e o PSD nas sondagens é o exacto contrário daquilo que os seus opositores internos achavam ser a oposição "eficaz" ao PS e a António Costa: a sua moderação e preocupação com o interesse nacional acima da luta partidária. A política dos decibéis, a radicalização da direita, a oposição pavloviana ao PS nunca fez verdadeiros estragos no partido que está no poder. Pelo contrário, Rio apresentando-se ponderado, preocupado com a estabilidade política, reformista (afirmou várias vezes que não era chegar "lá" e mudar tudo), moderado no exercício do poder e na consideração de que, em democracia, há quem ganhe e quem perca e quem perde deve actuar em função de valores nacionais, a sua repetida e reafirmada vontade de negociar, tudo isto faz com que o eleitorado que está cansado de Costa e do PS veja em Rio e no PSD uma alternativa que em tempos difíceis lhes é aceitável, mesmo que tenham antes votado no PS. É para este eleitorado que Rio fala com sucesso.

O erro de António Costa
Costa, pelo contrário, tem cometido muitos erros na condução da campanha do PS, de que é o principal trunfo. O mesmo mecanismo de previsibilidade e estabilidade que funciona para Rio funciona igualmente para Costa. Costa é o "diabo" que se conhece, sabe-se qual o seu estilo e sabe-se também que, mesmo com a aliança com o PCP e o BE, foi moderado, por isso o PS foi colocado no centro-esquerda, mais do que mais à esquerda. É por isso que os críticos dos decibéis que diziam que Portugal era uma espécie de Venezuela e Costa um aprendiz de ditador, sempre foram ineficazes para além do grito de guerra que a direita radicalizada gosta de ouvir. Mas, a fronda direita-esquerda, que é a política que propunham, poderia mobilizar uma parte do eleitorado, em todo o caso, sempre menos do que a esquerda seria capaz de mobilizar em clima de confronto.

Os erros de Costa na campanha vêm acima de tudo de deixar imprevisível o que se passará caso ganhe, ou caso perca como segundo partido, mesmo que haja uma maioria potencial com o PS mais o PCP e o BE. Numa campanha em que os eleitores do centro que ambos os partidos disputam, a vantagem que o moderado Costa tem por estar no poder é erodida pela sua ambiguidade quanto à solução política pós-eleitoral, e isso favorece Rio.

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