O canibalismo partidário
José Pacheco Pereira Professor
23 de junho

O canibalismo partidário

Se formos analisar também o caso das últimas eleições em Portugal, o PS “engoliu” o Bloco e o PCP, devastando a sua esquerda, enquanto o PSD foi reduzido a um partido médio, um pouco como aconteceu em França aos gaullistas, hoje “republicanos”.

Os sistemas políticos europeus estão a sofrer mutações significativas, cujos efeitos são difíceis de prever, mas que podem levar ao enfraquecimento do tecido democrático. Em última instância, são os eleitores que as estão a provocar, mas nem por isso deve deixar de ser discutido nas suas implicações. Em França, nas últimas legislativas, vêem-se os efeitos partidários da acção unipessoal de Macron que "engoliu" os gaullistas e os socialistas. O que sobrou destes dois partidos, que dominavam o espectro político até Macron chegar, é pouco mais do que os "republicanos", que se arrastam no quarto lugar, e o PSF, como aliás o já quase desaparecido PCF, "engolidos" por sua vez pelo movimento de Mélenchon. É como se, em Portugal, o Bloco de Esquerda "engolisse" o Partido Socialista e o PCP.

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