O apartheid cultural
Nuno Tiago Pinto Chefe de redação
26 de março

O apartheid cultural

Determinar aquilo que fazemos em função da nossa etnia, género ou orientação sexual só aumenta os preconceitos. Dará aos extremistas aquilo que pretendem. Eles precisam disso. A esmagadora maioria da humanidade, não. 

A 28 de agosto de 1963, Martin Luther King fez um discurso que ficou para a história. Ali, em frente ao Lincoln Memorial, em Washington, King afirmou: "Eu tenho o sonho de que os meus quatro filhos pequenos viverão um dia numa nação onde não serão julgados pela cor da sua pele mas pelo seu caráter". Passados quase cinquenta anos – mesmo depois de os Estados Unidos terem tido um presidente negro – o sonho de Martin Luther King não parece estar perto de realizar-se.

O racismo não só continua a ser uma realidade na América e no resto do mundo como alguns dos que se apresentam como ativistas da luta contra a discriminação racial parecem não ter aprendido nada com as palavras do pastor batista e líder do movimento os direitos civis. Pelo contrário. Continuam a usar uma retórica extremista que em vez de unir promove a separação e lança achas para a fogueira daqueles que se alimentam do ódio e da discriminação.

O exemplo mais recente foi o da polémica a propósito da tradução do poema de Amanda Gorman, lido na tomada de posse de Joe Biden como presidente dos Estados Unidos. Perante o interesse generalizado do poema, surgiram vários projetos para a sua tradução. Problema: depressa surgiram vozes a insurgir-se contra o perfil dos tradutores encontrados para interpretar as palavras do poema The Hill We Climb.

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