No meio da negritude da actualidade política, económica e social em Portugal e no resto do Mundo, faz bem vislumbrar, mesmo que por curtos instantes, uma luz.
O título de hoje é uma forma singela de me associar à comemoração do 80º aniversário de Sérgio Godinho, nascido a 31 de agosto de 1945, recordando aqui o refrão da sua canção de 1971 “O porto aqui tão perto”.
No meio da negritude da actualidade política, económica e social em Portugal e no resto do Mundo, faz bem vislumbrar, mesmo que por curtos instantes, uma luz.
Especialmente quando, como é o caso, essa luz está bem fora de um qualquer túnel.
Portanto, parabéns Sérgio Godinho por teres completado 80 anos de vida e obrigado por tudo o que nos deste.
Mas porque os miseráveis tempos que estamos a viver são mesmo intoleráveis, é indispensável – cada vez mais indispensável - recordar igualmente que só há liberdade a sério quando houver paz, pão, habitação, saúde e educação, para todos e todas sem excepção.
Mas educação como deve ser e não aquilo que tivemos nas últimas décadas, que não permitiu que a generalidade daqueles e daquelas que frequentaram as escolas do país tivesse aprendido a distinguir a verdade das múltiplas mentiras que, de uma forma bem orquestrada, são propagandeadas a toda a hora através dos mais variados meios de comunicação de massa. E que, insisto, não se circunscrevem às chamadas redes sociais.
Espírito crítico e capacidade de raciocínio lógico e racional são coisas que escasseiam neste tempo vil e repelente em que nos é dado viver.
E que dizer da dimensão astronómica da ignorância que é manifestada, sem qualquer pingo de vergonha, em múltiplos vídeos que circulam pelas redes sociais, aparentemente destinados a fazer-nos rir?
Caramba, o que é que aconteceu nas escolas durante os últimos 50 anos para termos chegado a este quase grau zero de conhecimento e de cultura?
Existe, de facto, um campo muito fértil para o florescimento da mentira e da desinformação, as quais já têm, à partida, um considerável avanço porque, repito, todos os seres humanos (todos, todos, todos), para além de selvagens e egoístas, nascem tendencialmente irracionais.
Ainda assim, é para mim motivo de grande espanto que certos gestos patéticos, como por exemplo as “cenas” de André Ventura a combater os fogos florestais e a distribuir bidões de água, não tenham provocado uma risada geral e o completo descrédito desse bufão e dos seus seguidores.
Será que se perdeu todo o sentido do ridículo? E do decoro?
Que esse pérfido difusor do ódio, do preconceito e da intolerância, e inimigo da Democracia, do Estado de Direito e dos direitos humanos universais perdeu completamente a decência e não tem um pingo de vergonha na cara (se é que alguma vez as teve – decência e vergonha, clarifico), era algo já abundantemente conhecido.
Mas o seu indecoroso comportamento face à tragédia dos incêndios consegue alcançar patamares de baixeza totalmente insuportáveis.
E que indiscutivelmente o são, mesmo quando comparados com a mais que questionável actuação/inacção do primeiro-ministro e de outros membros do seu governo.
Que fique muito claro: este mal absoluto que se vem repetindo há décadas nos meses de Verão em Portugal não é só da responsabilidade deste governo.
Só que a incúria e a incapacidade (incompetência?) ocorridas no passado não justificam a incúria e a incapacidade (incompetência?) manifestadas no presente.
Especialmente quando acompanhadas de uma gritante e indesculpável falta de empatia para com o sofrimento dos outros.
Afinal, o sinistro Elon Musk, que afirmou que a empatia é “um vírus, um bug no sistema moral, uma fraqueza da civilização ocidental”, tem seguidores em Portugal. Mais do que se poderia pensar que tinha e ocupando lugares aparentemente inesperados.
Não sei como devem ser combatidos os incêndios – embora seja lógico e racional pensar que a prevenção e o planeamento prévio são aspectos da maior importância -, mas alguém deve saber. E sabe de certeza.
E porque assim é, como se justifica esta repetição, ano após anos, de uma tragédia de tão grandes proporções?
Como venho afirmando, também há várias décadas, relativamente à situação do sistema judiciário, mas que se aplica integralmente ao sistema de combate aos incêndios, quando algo corre mal há tanto tempo, é porque está a correr muito bem para alguém, sendo que esse alguém (ou esses alguéns, como será o mais certo) é (são) sociologicamente poderoso(s).
Todavia, no entretanto, em vez de estar a ser pensado seriamente em como resolver os problemas cujas graves consequências afectam seriamente o dia-a-dia dos portugueses e das portuguesas, o que nos é oferecido é um contínuo espectáculo, misto de circo de vaidades e de farsa teatral de baixíssima qualidade.
Parafraseando uma canção francesa muito famosa nos anos 70 do século passado (lançada em 1971), só nos oferecem paroles et paroles et paroles et paroles. E actos, nada.
Até parece que nos querem tomar por parvos. E, muito sinceramente, isso irrita-me profundamente.
Espero que no próximo dia 12 de outubro, apesar de terem mais dinheiro no bolso (o pior vai ser quando, no próximo ano, essas mesmas pessoas tiverem de pagar o IRS ao Estado em vez de receber uma devolução do que foi sendo descontado mensalmente nos rendimentos auferidos pelos contribuintes), os eleitores e as eleitoras consigam ver para além dessas palavras ocas, enganosas e fúteis, e desse espectáculo aviltante, e que pensem muito bem em quem vão votar.
E, para além de tudo o mais, olhem para o que está a acontecer em países como os EUA em que, tendo alcançado o poder, Trump e os seus republicanos MAGA se preparam para, através de alterações cirúrgicas das circunscrições eleitorais e limitações ao exercício do direito de voto, usar a sua maioria conjuntural para se perpetuar no poder.
Como acontece nas Ditaduras. E como alguns querem que aconteça também em Portugal.
Os defensores e as defensoras da Democracia, do Estado de Direito e dos direitos humanos universais não podem ficar imóveis e inertes à espera não sei do quê – ou de um qualquer milagre.
E, voltando ao princípio, o 12 de outubro já está a ficar aqui tão perto.
Os despojos de Abril. E o 12 de outubro aqui tão perto
No meio da negritude da actualidade política, económica e social em Portugal e no resto do Mundo, faz bem vislumbrar, mesmo que por curtos instantes, uma luz.
É de uma ironia cruel que as pessoas acabem por votar naqueles que estão apostados em destruir o Estado Social. Por isso mesmo, são responsáveis pela perda de rendimentos e de qualidade de vida da grande maioria dos portugueses e das portuguesas.
Agora existem os neo-fascistas. E Steve Bannon é um deles. E a sua influência global é enorme. E em Portugal os seus discípulos não se encontram apenas no Chega.
Já não é suficiente mudar os nomes às coisas, antes havendo que banir (cancelar) tudo o que não segue e todos e todas os que não obedecem aos rígidos e puritanos critérios do pensamento woke.
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