A arte de fazer fitas
João Pereira Coutinho Politólogo, escritor
10 de março de 2018

A arte de fazer fitas

Fui desenvolvendo um faro apurado que me permite avaliar um filme pelos três minutos de apresentação. Não sei como as coisas funcionam em termos neuronais. Mas é um radar que nunca me falhou

Perdi interesse pelos óscares. Deve ser um sintoma de velhice. Nem sempre foi assim: ainda me lembro de ver todos os filmes nomeados com espírito científico. Depois, debitava sentenças sobre o melhor, o pior, o provável vencedor, o improvável derrotado.

Este ano, fiquei-me por Linha Fantasma e mais dois ou três cujos nomes esqueci. O resto vi em trailers, o que permite poupar tempo e dinheiro. Bizarro?

Longe disso. Com a idade, fui desenvolvendo um faro apurado que me permite avaliar um filme pelos três minutos de apresentação. Não sei como as coisas funcionam em termos neuronais. Mas é um radar que nunca me falhou. Já pensei, aliás, oferecer os meus préstimos a uma publicação qualquer como crítico de trailers. Aceitam-se propostas.
Mas divago. Porque os Óscares deste ano, para além dos olhos de Emma Stone, da elegância antiquada de James Ivory e da espantosa aparição de Eva Marie Saint, tiveram o seu apogeu no discurso de Frances McDormand, premiada com o Óscar de Melhor Actriz por Três Cartazes à Beira da Estrada.

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