O passageiro do vírus da arrogância
Eduardo Dâmaso
08 de dezembro de 2021

O passageiro do vírus da arrogância

Eduardo Cabrita transformou-se no passageiro do vírus da arrogância, que pode ser fatal a um PS em plena campanha. A um PS que já foi, em parte, amassado nas autárquicas por uma soberba do mesmo género.

O lugar de ministro da Administração Interna é, desde sempre, uma espécie de cadeira eléctrica, independentemente da habilidade política, inteligência ou competência do ocupante (ou passageiro) do lugar. É um ponto sensível de exercício do poder de Estado numa das suas componentes mais delicadas, onde se traça uma das fronteiras entre democracia e ditadura, entre liberdade e controlo social. É aqui, a par da Defesa, que o Estado pode exercer o seu monopólio clássico sobre a violência, transformando-o num alicerce de segurança para o País e a colectividade, para os cidadãos. Espera-se de um ministro da Administração Interna que seja um produtor de confiança, de respeito pela legalidade e pelos princípios básicos de um Estado de Direito Democrático. Que sossegue os seus concidadãos através de uma boa gestão das forças policiais, que não fique refém de obscuros interesses que, por vezes, atravessam as profundezas dos bastidores políticos para transformar o poder próprio do aparelho repressivo do Estado num instrumento de pura delinquência.

Recorde-se, a propósito, o que aconteceu várias vezes aqui ao lado, em Espanha, onde PSOE e PP travam há décadas uma luta surda pelo controlo do Ministério do Interior, historicamente um elemento de dominação que o franquismo utilizou contra os espanhóis mas que a democracia nem sempre tem conseguido domesticar.

O PSOE de Felipe Gonzalez utilizou o Interior para consagrar a ilegalidade, a tortura e a morte ao serviço do Estado, através de uma vergonhosa operação de terrorismo de Estado contra a ETA, contratando mercenários para matar etarras. Trata-se do célebre caso GAL, a que Portugal ficou profundamente ligado, ao embrulhar as fortes suspeitas de colaboração com os terroristas uniformizados da Guardia Civil numa classificação incompreensível de segredo de Estado.

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