Marcelo e o ministro das polícias
Eduardo Dâmaso Director
13 de dezembro de 2020

Marcelo e o ministro das polícias

Magina da Silva apresentou-se como uma espécie de ministro das polícias legitimado por aquela espécie de conselho de ministros bipolar – no estrito sentido de ter apenas dois polos – , constituído por si e por Marcelo Rebelo de Sousa.

Magina da Silva, Diretor Nacional da Polícia de Segurança Pública (PSP), foi ao Palácio de Belém receber as condolências pela morte de um agente da PSP, em Évora, e saiu de lá a defender que seja criada uma Polícia Nacional, à imagem do que já acontece em Espanha, para integrar o SEF e a PSP.

Para lá do mau gosto de lançar um tema destes em cima de uma audiência de condolências, a simplicidade do poder em Portugal é desarmante: um Presidente da República e um diretor nacional de uma polícia juntam-se a propósito de uma tragédia e aproveitam a ocasião para discutir uma reforma de uma área essencial do poder de Estado. O polícia sai do Palácio ufano, com o ar de quem foi realmente ouvido pelo mais alto magistrado da Nação e anuncia, não uma reforma do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, mas a total alteração da organização das polícias dependentes do Ministério da Administração Interna.

Magina da Silva apresentou-se como uma espécie de ministro das polícias legitimado por aquela espécie de conselho de ministros bipolar – no estrito sentido de ter apenas dois polos – , constituído por si e por Marcelo Rebelo de Sousa. Foi um momento de puro ilusionismo, é certo, o que se assistiu ontem à noite à saída de Belém, mas mostra bem o triste estado da política em Portugal. Não apenas do Governo, que está em notórias dificuldades, mas da política, no sentido em que ninguém sai bem desta história, em que há um ministro à deriva, um Presidente da República em campanha eleitoral que aproveita, sibilinamente, um caso onde também teve omissões evidentes, um alto responsável de uma polícia que não sabe qual é o seu lugar.

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