A Nova Ordem Alimentar Americana: menos hidratos, mais fertilidade
O foco na comida real, vegetais, fruta, proteínas de boa qualidade e gorduras naturais, traduz-se numa melhor sensibilidade à insulina e numa menor inflamação sistémica.
O debate recente sobre a inversão da pirâmide alimentar e a adoção de novas diretrizes internacionais trouxe à superfície uma verdade que a medicina reprodutiva conhece bem: a fertilidade é um reflexo direto do nosso ambiente interno. Ao retirarmos o protagonismo aos hidratos de carbono refinados e focarmos na densidade nutricional, não estamos apenas a falar de calorias, mas sim de restaurar o equilíbrio hormonal num mundo cada vez mais hostil ao sistema endócrino.
A fertilidade é profundamente influenciada pelo ambiente metabólico e inflamatório do organismo. As novas diretrizes, que reforçam a mensagem de "comer comida de verdade", servem de escudo contra um dos maiores inimigos da reprodução moderna: os disruptores endócrinos. Estas substâncias químicas, presentes em conservantes, aditivos e nas próprias embalagens plásticas dos alimentos ultraprocessados, mimetizam as nossas hormonas naturais, baralhando os sinais do corpo e prejudicando tanto a ovulação como a produção de espermatozoides.
Ao privilegiar alimentos integrais e minimamente processados, estamos a reduzir drasticamente a exposição diária a estes compostos. O foco na comida real, vegetais, fruta, proteínas de boa qualidade e gorduras naturais, traduz-se numa melhor sensibilidade à insulina e numa menor inflamação sistémica. Para uma mulher com síndrome dos ovários poliquísticos ou para um homem com qualidade seminal abaixo do desejado, esta mudança é determinante. Alimentos como o peixe, os ovos e o azeite fornecem os micronutrientes essenciais, como ómega-3 e antioxidantes, que ajudam o organismo a desintoxicar e a proteger os gâmetas do stresse oxidativo.
Por outro lado, o consumo elevado de ultraprocessados cria uma tempestade perfeita de disfunção. Além da carga glicémica elevada, estes produtos transportam frequentemente resíduos químicos que alteram a microbiota intestinal e endometrial, comprometendo a janela de implantação embrionária. Mais do que contar calorias, o foco deve estar na pureza biológica do que ingerimos. Escolher alimentos que não vêm dentro de embalagens plásticas ou que não contêm listas intermináveis de ingredientes impronunciáveis é, talvez, a ferramenta de desintoxicação mais poderosa que temos à nossa disposição.
Como médico, vejo esta nova abordagem alimentar não como uma moda, mas como uma necessidade clínica. No caminho para a parentalidade, comer melhor e evitar os disruptores endócrinos diários não é um detalhe periférico ou um complemento ao tratamento; é uma parte integrante e fundamental do sucesso. O futuro da reprodução passa por esta consciência: a de que a saúde das próximas gerações começa na proteção do nosso sistema hormonal, muito antes da primeira ecografia.
Miguel Raimundo, médico especialista em Ginecologia e Obstetrícia (n.º da Ordem dos Médicos: 52741), investigador e gestor, amplamente reconhecido pelo seu trabalho em PMA.
A Nova Ordem Alimentar Americana: menos hidratos, mais fertilidade
O foco na comida real, vegetais, fruta, proteínas de boa qualidade e gorduras naturais, traduz-se numa melhor sensibilidade à insulina e numa menor inflamação sistémica.
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