Sábado – Pense por si

Eduardo Dâmaso
Eduardo Dâmaso
08 de julho de 2021 às 08:00

Berardo, a grande metáfora do poder

Não tenhamos ilusões: Berardo não é apenas o clown do sistema. Ele é o próprio sistema, que tremeu um bocado em 2014, com o fim do GES/BES e a prisão de Sócrates, mas sobrevive agarrado ao velho amiguismo do poder.

Finalmente, Berardo. A história de Berardo não tem, nem nunca teve, mistério algum. Foi mais um daqueles amigos de quem tinha poder político e económico à época que recebeu dinheiro da banca, logo transformado em fatura a pagar pelos contribuintes, para liderar o assalto ao BCP, primeira fortaleza do sistema financeiro a cair, e abrir o caminho aos corsários da sua quadrilha na Portugal Telecom, na EDP, no gigantesco setor empresarial do Estado e em todas as grandes e médias empresas privadas em que o governo de Sócrates não se coibia de mandar. Nesse tempo, todos os empresários que jogassem limpo, em cima da mesa e pelas regras da lei, tinham poucas hipóteses. Perdiam concursos, ficavam com o crédito pendurado na esmagadora maioria dos bancos, em particular no BCP, CGD e BES, alguns ficaram perto da falência, outros faliram, muitos ficaram com os projetos adiados. Berardo e toda a vasta lista de caloteiros do BES, do BCP e da CGD não tinham problema nenhum e jamais teriam se não tivesse acontecido o que aconteceu no interminável ano de 2014. Sempre esteve à vista de quem quis ver.

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