André Ventura e Rodrigues dos Santos, ou a maldição de Bernard Shaw
Eduardo Dâmaso
12 de janeiro

André Ventura e Rodrigues dos Santos, ou a maldição de Bernard Shaw

A conversa acabou e transformou-se num arraial de pancadaria. Fica apenas uma triste história de guerra verbal, que torna completamente inútil qualquer tentativa análise.

André Ventura ensaiou bem a entrada no ringue. Armou-se em Jack LeMotta, campeão de boxe dos anos 40 que Robert de Niro celebrizou no filme ‘Touro Enraivecido". Pegou no primor de chavão que levava para colar à cara de Francisco Rodrigues dos Santos, a quem chamou líder da "direita mariquinhas", e procurou encostá-lo às cordas. Procurou mobilizá-lo para um rápido KO, que mostrasse a falta de fibra, de energia e de utilidade do adversário para o grande combate da direita. Ventura, como sempre, a falar para a conversa de café, para o mundo enxertado entre a exploração da pobreza mental típica das seitas evangélicas, a disfunção cognitiva habitual do adepto que medra no velho labirinto do fanatismo, mas também o cidadão que tem no protesto, puro, duro, muitas vezes vazio, uma forma de socialização.

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