A história de um poder delinquente
Eduardo Dâmaso Director
08 de abril

A história de um poder delinquente

A Operação Marquês é uma autópsia fina do que foi o poder político e económico que implodiu em 2014, do seu uso amoral e criminoso, muito mais do que um espelho do anacronismo judicial.

Regressemos à Operação Marquês, palco de uma batalha jurídica e de conceções sobre o posicionamento da justiça no quadro da separação e interdependência de poderes que nos vai acompanhar, pelo menos, pela próxima década. Para o regime democrático terá mais importância do que o redesenho, em curso, da coabitação institucional e política entre o Presidente da República e o primeiro-ministro.

A investigação a Sócrates é um marco indiscutível na discussão do problema da corrupção em Portugal, independentemente das opiniões do juiz Ivo Rosa. Para lá da valoração jurídica, levantou factos conspícuos, lógicas clientelares, uma apropriação por interesses privados de setores vastos e ricos do Estado, formalismos inquinados de blindagem da decisão política delinquente pela própria lei, cumplicidades de toda a espécie, inclusive judiciais, suscetíveis de forte censura social e penal, um vasto rol de questões que golpeiam profundamente a qualidade da democracia. Tudo isso é muito mais importante do que o juiz Ivo Rosa.

A Operação Marquês é uma autópsia fina do que foi o poder político e económico que implodiu em 2014, do seu uso amoral e criminoso, muito mais do que um espelho do anacronismo judicial.

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