O ex-governador acha que serve mesmo para tudo, de São Bento a Belém, passando por mestre de obras megalomaníacas, e um certo PS também achou, durante bastante tempo.
Mário Centeno é um milagre. O ex-governador mostrou, em 10 anos de palco político, uma capacidade sobrenatural para resistir de caso em caso. E, mais extraordinário, mesmo no momento da dispensa do Banco de Portugal que dominou as últimas semanas em tom de escândalo público, pelo valor de 10.000 euros para 59 anos de idade, Centeno é aquele ator que está sempre prestes a reentrar em palco. Explicou aliás, ao Diário de Notícias: “O meu futuro está em aberto.” O “País precisa de pensar” e ele, Centeno, está disponível para ajudar nessa tarefa. “O País precisa de que, quem quiser ser líder, mostre serviço e preparação. E isto quase nunca acontece” - a não ser, decerto, com o próprio. Mário Centeno demonstrou sempre e, reconheça-se, isso é parte do segredo o seu sucesso, enorme convicção nas suas próprias capacidades, o autoenamoramento e a ambição de quem vê na política um espaço aberto. Sair diretamente do Ministério das Finanças para governador do BdP sem temer conflito de interesses, mais a mais três meses depois de iniciada a pandemia? Claro. Transformar o cargo num posto de autopromoção, criando canais pessoais dentro da instituição, que antes não existiam, como o “boletim do Governador”? Também. Aceitar saltar dali para primeiro-ministro (mesmo sem ser sequer militante do PS) para substituir António Costa? Nem mais, só que Marcelo Rebelo de Sousa achou que não. Ser candidato presidencial? Alimentou a novela até perceber que não tinha chão seguro. Sair encomendando uma sede de 190 milhões, de “alto risco” e a dois meses do fim do mandato? Sim, outra vez sim. Centeno acha que serve mesmo para tudo, de São Bento a Belém, passando por mestre de obras megalomaníacas, e um certo PS também achou, durante bastante tempo.
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