Um médico não é um Comando
Carlos Rodrigues Lima
12 de abril de 2018

Um médico não é um Comando

Um médico nunca pode deixar de ser médico, apesar da patente de capitão dos Comandos. O Exército terá de explicar aos oficiais que ser Comando é estar “pronto para o sacrifício” em nome de um País e não de qualquer alucinado que esteja a conduzir um treino

Enquanto nos entretivemos, e continuamos a entreter-nos, com mais alguns episódios da saga "Keeping up with Bruno de Carvalho", seriado que retrata o quotidiano do presidente de um clube e a comprovada dependência das redes sociais, 19 arguidos foram pronunciados pela morte de dois recrutas, em Setembro de 2016, durante o 127º Curso de Comandos. O despacho da juíza Isabel Sesifredo que encaminhou o processo para julgamento subscreveu em toda a linha a acusação do Ministério Público, considerando ser mais provável a condenação dos arguidos em julgamento do que a sua absolvição.

É certo que o treino de forças especiais como os Comandos não é comparável à formação de um militar comum. Percebe-se o nível exigido, quer físico, quer mental. E até se compreende algum exagero por parte dos instrutores, procurando levar os formandos ao limite, claro está, inspirados, por exemplo, na personagem no sargento Master Chief do clássico G. I. Jane ou no ainda mais clássico Chuck Norris e as suas técnicas de combate.

Lendo o despacho de instrução, o que se torna incompreensível é o papel do médico que acompanhava o treino, o capitão Miguel Domingues, durante aqueles dias no Campo de Tiro de Alcochete, que a juíza de instrução classificou como de "catástrofe humanitária".

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