A bazuca é da cooperativa
Carlos Rodrigues Lima Subdiretor
15 de outubro

A bazuca é da cooperativa

Pobre País em que um Presidente da República tem que vir a público sublinhar que o Plano de Recuperação e Resiliência é de todos. O tal plano, como documento teórico, até pode ser. Mas os milhões que lhe estão atrelados é outra conversa.

DESENGANE-SE QUEM AINDA ACREDITA QUE O PLANO DE RECUPERAÇÃO E RESILIÊNCIA, ou melhor, os milhões que lhe estão atrelados vão pôr Portugal no rumo certo. A forma como António Costa andou a vender o tal plano durante a campanha autárquica e o consequente puxão de orelhas do Presidente da República mostram que o que aí vem não é uma tal “última oportunidade” para a modernização do País mas, como de costume, o regabofe total.

Talvez daqui a 20 anos – se o aquecimento global não der, entretanto, cabo disto tudo – estejamos a fazer contas ao dinheiro desperdiçado, à oportunidade perdida, as mesma contas que ainda hoje se fazem aos dinheiros do Fundo Social Europeu, desperdiçados em subsídios-fantasma e pequenas mordomias típicas de novos-ricos.

Quando António Costa designou os milhões da União Europeia como uma “bazuca”, teve um momento de lucidez e honestidade: a bazuca, mesmo para quem não cumpriu o serviço militar, é facilmente transportável por um soldado, não requer uma operação logística, como um míssil ou uma bomba largada por um avião, e tem um efeito imediato, não provoca um grande dano a médio-longo prazo.

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