A guerra que não faz barulho: como Moscovo testa o Ocidente na sombra
Recentes relatórios de inteligência alertaram para a possibilidade de navios da "frota fantasma" a operar ao serviço da Rússia serem utilizados para lançar drones contra países costeiros da UE. Um ataque deste género causaria pânico, mas vale a pena perguntar: o que ganharia realmente a Rússia?
Numa fase em que a Europa debate a iminência de uma
provocação russa, o verdadeiro xadrez joga-se nos limites da dissuasão. Mais do
que marchar com colunas de tanques sobre capitais ocidentais, o objetivo de
Moscovo é testar a elasticidade do Artigo 5º da NATO e a coesão dos aliados.
Convém dizê-lo com clareza: perante um ataque armado inequívoco, o Artigo 5º
será acionado. A Aliança Atlântica continua a ser o centro de gravidade da
segurança europeia e a sua própria sobrevivência depende dessa resposta.
Sabendo disso, o Kremlin opta por operar na "zona
cinzenta", regendo-se por uma regra de ouro: a negação plausível.
Pensemos num jovem europeu recrutado através de canais digitais para incendiar
uma infraestrutura crítica. Para a opinião pública, Moscovo pode fingir total
inocência, desinteressando-se do destino do jovem criminoso que, para o Estado
russo, não passa de um mero instrumento descartável. É nestas franjas que a
Rússia extrai o maior rendimento com o menor risco.
Contudo, nem todos os cenários resistem a uma análise
fria. Recentes relatórios de inteligência alertaram para a possibilidade de
navios da "frota fantasma" a operar ao serviço da Rússia serem
utilizados para lançar drones contra países costeiros da UE. Um ataque deste
género causaria pânico, mas vale a pena perguntar: o que ganharia realmente a
Rússia? Se um navio mercante for interceptado a desferir um ataque cinético, a
negação plausível evapora-se instantaneamente. A tripulação seria imediatamente
abordada por forças navais e colocada perante tribunais ocidentais sob
acusações de terrorismo. Para o Kremlin, queimar ativos vitais e tripulações de
que depende fortemente para escoar o seu petróleo, sem obter qualquer ganho
territorial ou militar real, transforma este cenário numa derrota estratégica
sem margem para vitória.
É precisamente por isso que Moscovo evita o risco dos
ataques cinéticos diretos a partir de navios civis, preferindo a opacidade da
sabotagem indireta. Por exemplo, arrastar âncoras no fundo do mar para
seccionar cabos de fibra ótica submarinos, mascarado de negligência ou
"mau tempo" ou a interferência eletromagnética (GPS spoofing)
a partir de águas internacionais ou de enclaves como Kaliningrado, que afeta a
aviação e a navegação sem um vetor físico visível.
Estas ações demonstram que as ameaças russas operam num
limbo perigoso: estão abaixo do limiar de uma resposta militar proporcional,
mas muito acima da espionagem clássica.
Este novo normal exige que o establishment de
segurança da Europa abandone a visão binária de que a paz e a guerra são
interruptores estanques, onde a ausência de uma garante automaticamente a
outra. A paz é, hoje, um espectro contínuo: um frágil equilíbrio de forças que
exige manutenção e vigilância constantes. Neste paradigma, a Defesa deixa de
ser um mero peso nos orçamentos estatais para se assumir como o pilar
estruturante da nossa ordem política, onde a própria sociedade civil deixa de
ser um beneficiário passivo para se converter num ativo essencial de segurança.
A guerra que não faz barulho: como Moscovo testa o Ocidente na sombra
Hoje assinalam-se três anos desde o colapso do status quo no Médio Oriente. O ataque do Hamas revelou a arrogância da inteligência israelita, mas a resposta letal e isolada de Telavive expôs uma falência ainda maior: a da vontade política da comunidade internacional.
Recentes relatórios de inteligência alertaram para a possibilidade de navios da "frota fantasma" a operar ao serviço da Rússia serem utilizados para lançar drones contra países costeiros da UE. Um ataque deste género causaria pânico, mas vale a pena perguntar: o que ganharia realmente a Rússia?
Fedorov, que perdeu a sua influência política toda (que demorou anos a ser construída), percebeu que tem um relógio breve: ele precisa de capitalizar enquanto a ferida está aberta, porque quando fechar, o seu nome passa a ser uma breve, mesmo que positiva, memória na sociedade ucraniana.
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