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Vitaliy Venislavskyy
Vitaliy Venislavskyy Investigador em História, Segurança e Defesa
07 de outubro de 2026 às 11:12

O paradoxo da vingança: o que o mundo não aprendeu nos três anos do 7 de Outubro

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Edição de 6 a 12 de outubro

Hoje assinalam-se três anos desde o colapso do status quo no Médio Oriente. O ataque do Hamas revelou a arrogância da inteligência israelita, mas a resposta letal e isolada de Telavive expôs uma falência ainda maior: a da vontade política da comunidade internacional.

A 7 de outubro de 2023, o Médio Oriente acordou com o colapso de uma ilusão. Durante anos, o establishment militar e governamental de Israel convenceu-se de que a tecnologia poderia substituir a estratégia e que a superioridade bélica garantia a contenção. O muro fronteiriço de Gaza, uma maravilha de mil milhões de dólares repleta de sensores e metralhadoras automáticas, caiu em poucas horas perante tratores e drones comerciais de baixo custo. A inteligência israelita tinha em sua posse, há mais de um ano, o plano de invasão detalhado pelo Hamas (o infame documento "Jericho Wall"), mas este foi arquivado. Parece que faltavam dados empíricos que sustentassem capacidades materiais em executar uma operação deste tipo. E realmente, nunca uma organização terrorista teria sequer sonhado em realizar uma invasão deste tipo a um Estado tão bem defendido, como o Estado de Israel. O preço desta entropia cognitiva foi o dia mais mortífero para o povo judeu desde o Holocausto.

Mas se a manhã do 7 de Outubro é a história de uma tragédia humana brutal e inimaginável, os três anos que se seguiram são a história de um trágico erro de cálculo e da falha estrutural de dissuasão conjunta.

Quando uma nação sofre um trauma desta magnitude, a dor coletiva exige justiça imediata. No entanto, a História ensina-nos que o trauma é o pior conselheiro da estratégia política. Ao analisar a reação de Israel, é impossível não traçar um paralelo sombrio com os Estados Unidos pós-11 de Setembro. Osama Bin Laden não derrubou as Torres Gémeas para derrotar o exército americano; fê-lo para arrastar Washington para o Médio Oriente, forçando uma guerra de atrito que corroesse a sua autoridade moral global. Yahya Sinwar, o arquiteto do 7 de Outubro, desenhou exatamente a mesma armadilha. O massacre não visava a conquista territorial, mas sim provocar uma resposta tão brutal e desproporcional que implodisse os Acordos de Abraão e incendiasse toda a região. Israel, cego pelo luto e focado na vingança, caminhou diretamente para a emboscada. Volto a referir o que abriu este parágrafo: isso é mais do que expectável de um Estado que sofre um ataque desta magnitude.

E é aqui que reside a grande lição destes últimos três anos (que deveria ter sido acautelada, tendo em conta a experiência da reação americana ao ataque do 11 de setembro): ataques existenciais e de escala massiva devem, imperativamente, convocar respostas multilaterais.

Quando um Estado brutalizado reage sozinho no terreno, a sua resposta tende inevitavelmente a ser mais agressiva e ignorante de limitações de ordem moral. O instinto de sobrevivência e a pressão interna pela vingança sobrepõem-se à racionalidade diplomática. Se, por outro lado, tivéssemos observado uma ação coletiva, apoiada por aliados internacionais e enquadrada por organizações multilaterais, teríamos como a principal garantia a preservação dos valores humanitários. No fim de contas, a moderação imposta por uma coligação é o único travão ético contra o abismo.

O principal responsável pela carnificina que assistimos é o Hamas, uma organização terrorista que instrumentaliza o caos e a morte dos seus próprios civis como moeda de troca. Contudo, a comunidade internacional falhou drasticamente perante o desafio. Perante a abertura da Caixa de Pandora em Gaza, o Ocidente e os parceiros árabes optaram por lavar as mãos. Limitaram-se a emitir comunicados, desenhar linhas vermelhas imaginárias e enviar pacotes de ajuda humanitária, enquanto deixavam Israel operar num vácuo político e militar. Faltou a vontade política para impor uma intervenção internacional robusta no "dia seguinte", que retirasse a exclusividade militar a Telavive e forçasse uma transição controlada no território palestiniano.

Hoje, os resultados estão à vista. Três anos depois, a sociedade israelita permanece profundamente traumatizada e cronicamente insegura. Gaza é um cenário de destruição apocalíptica. O Hamas pode estar estruturalmente enfraquecido, mas a ideia que o alimenta sobrevive nos escombros. Não há qualquer prova empírica de que a dissuasão regional tenha sido restaurada; pelo contrário, toda a geografia do Médio Oriente está mergulhada numa espiral de violência com contornos imponderáveis.

Qualquer conversa sobre normalização diplomática tornou-se, por agora, impossível. O diálogo de paz entre israelitas e palestinianos transformou-se numa utopia distante, enterrada sob demasiados escombros e ressentimento.

O 7 de Outubro rasgou o véu da falsa estabilidade, provando que o terrorismo atinge o seu objetivo máximo quando o mundo se recusa a unir-se para civilizar a resposta.

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