Violências
Tiago Pereira Membro da Direcção e Coordenador do Gabinete de Crise COVID-19 da Ordem dos Psicólogos Portugueses
21 de julho

Violências

Pensar as violências implica pensar não apenas o que as caracteriza e determina, no presente (no tempo e momento em que decorrem), mas todo o percurso e contexto que a elas conduziu.

Noite de sábado, 24 de Julho de 1999. Numa base áerea desactivada nas imediações de Nova Iorque, Fred Durst sobe ao palco e, perante centenas de milhares de pessoas (e milhões a assistirem na TV), com os seus Limp Bizkit, canta a canção "Break stuff [Partam coisas]". Diz, depois e repetidamente, "não existirem regras" e encoraja a que as pessoas "se zanguem". Em pleno Woodstock 1999 - depois de dias de calor intenso, com péssimas condições de espaço e de higiene, após um acumular de tensão e de violências várias – Durst convida à "zanga". Com ou sem consciência, com ou sem intenção, contribuiu para uma legitimação do que se sucedeu nas horas seguintes e que conduziu ao fim abrupto do festival, com uma forte intervenção policial, resultante do perigo provocado pelo total descontrolo de parte significativa do público e já depois da MTV e outros órgãos de comunicação social terem retirado todas as jornalistas e os jornalistas do recinto por falta de segurança. 

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