Férias. França. Falta de memória e de factualidade
Tiago Pereira Membro da Direcção e Coordenador do Gabinete de Crise COVID-19 da Ordem dos Psicólogos Portugueses
04 de agosto

Férias. França. Falta de memória e de factualidade

A importância das férias é, hoje, inegável e França foi farol para que outros países, com importantes e significativas excepções, fossem progressivamente assumindo as férias pagas.

"O trabalho liberta". Leon Blum, ao contrário de outras e outros judeus (e não apenas), não terá lido esta frase quando, em 1943, entrou no campo de concentração da Alemanha Nazi de Buchenwald. Este campo, ao contrário de Auschwitz ou Sachsenhausen, não a tinha no portão, antes a não menos inquietante e perturbadora: "a cada um o que lhe é devido". Seria mais um anacronismo a acrescer ao inominável da situação, quando, sete anos antes, Blum havia liderado o primeiro governo no Mundo a instituir legalmente e universalizar o direito a férias pagas. A partir de 1936, quem sabe não por acaso no primeiro governo também com Mulheres com funções executivas (quando as Mulheres ainda não tinham direito de voto), além da fixação de uma jornada de trabalho fixa (40h semanais) e do prolongamento da escolaridade obrigatória (14 anos), as "congés payés" permitiram que milhões de trabalhadoras e trabalhadores em França usufruíssem de férias anuais, pagas. 

Para continuar a ler
Já tem conta? Faça login
Para activar o código da revista, clique aqui