Personalização e compromisso – Dos partidos às políticas
Tiago Pereira Membro da Direcção e Coordenador do Gabinete de Crise COVID-19 da Ordem dos Psicólogos Portugueses
03 de novembro

Personalização e compromisso – Dos partidos às políticas

Na verdade, aqui e ali, no Mundo ao redor, aproveitemos um certo colocar em causa dos Allerweltspartei para colocar em causa as Allerweltspolitik, políticas catch all.

Allerweltspartei. Original alemão do vulgarizado e famoso conceito em inglês catch-all party, significa partido (político) "onde todas e todos cabem". Tradução minha - insuficiente, mas possível - do conceito explanado em 1966 por Otto Kircheimer para descrever partidos maioritariamente surgidos pós fim da II Guerra Mundial que, pelo seu largo espectro e por serem menos ideológicos, procuravam atrair o maior número de pessoas e de eleitoras e eleitores possível assumindo-se como partidos de massas. Apesar do conceito per si ter sempre sido bastante discutido e problematizado, creio ser perceptível que um pouco por toda a Europa, e embora a ritmos diferentes, estes partidos estão actualmente em perda face ao surgimento ou crescimento de partidos políticos mais centrados em causas e mais dirigidos a grupos específicos de pessoas e de eleitoras e eleitores. Também em Portugal temos, e, previsivelmente, continuaremos a ter 9 (senão mais – no início da presente legislatura eram 10) partidos representados no Parlamento pós, as cada vez mais previsíveis, Legislativas de 2022 - algo demonstrativo da fragmentação política recente e de um caminho de progressiva transferência de votos de partidos generalistas e mais abrangentes para (mais) partidos mais assentes em singularidades, menos abrangentes e mais individualizados. Sinto relevante que no presente e para o futuro, pensemos no porquê desta fragmentação e no porquê dos "grandes" partidos políticos ficarem hoje longe das grandes maiorias do passado. 

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