A feliz conjugação das Autárquicas 2021 com a infeliz crise COVID-19
Tiago Pereira Membro da Direcção e Coordenador do Gabinete de Crise COVID-19 da Ordem dos Psicólogos Portugueses
07 de setembro

A feliz conjugação das Autárquicas 2021 com a infeliz crise COVID-19

Que a feliz conjugação das Autárquicas 2021 com a infeliz crise COVID-19 resulte em projectos políticos que considerem o seu contributo e o incentivem, para em proximidade, relação e procurando a personalização das respostas, promoverem o bem-estar e a coesão social das populações.

São raras as situações na nossa vida onde algo que funciona num determinado momento, contexto e com determinada pessoa ou grupo funciona igualmente noutro momento, contexto ou com outra pessoa ou grupo de pessoas. O passar dos dias mostra-nos, muitas vezes com perda e sofrimento associados, que assim é. Também é isso que nos revela estudar e compreender a ciência psicológica – não há uma "receita para todas e todos", instrumentos de avaliação e modelos de intervenção psicológica são tão mais eficazes quanto adaptados ao momento, contexto, pessoa ou grupo de pessoas. 

Devemos, pois, cuidar e atender a transferências, deduções e generalizações que podem ser abusivas e resultar inapropriadas. Devemos também e em todo o caso procurar reflectir sobre possibilidades de transferência, dedução e generalização de situações. Um exemplo possível é pensarmos em como os modelos de intervenção psicológica em contexto de crise e na comunidade nos podem ajudar a pensar o momento social que vivemos. 

Daniel Caplan foi um dos precursores daquilo a que hoje podemos chamar saúde mental comunitária, enquanto possibilidade de bem-estar e florescimento das pessoas de uma e numa determinada comunidade. Dedicou parte da sua vida à inovadora teorização de modelos preventivos associados à saúde pública e revisitou a intervenção da saúde mental comunitária, contribuindo decisivamente para que passasse a considerar o contexto imediato e se centrasse nas pessoas e na relação estabelecida com elas, promovendo não apenas a sua humanidade, mas também a sua eficácia e eficiência. Caplan é também responsável por um modelo, ainda hoje amplamente referenciado, que descreve em quatro fases o processo pessoal de reacção à crise, onde o suporte emocional surge como ferramenta fundamental de adaptação. Modelo base para outros que se lhe seguiram e que viriam a sublinhar a importância do rápido acesso das pessoas à ajuda e da intervenção ser contingente ao problema, a maior abertura à mudança da pessoa em crise ou a necessidade de exploração das possibilidades alternativas e compromisso face a elas, central a modelos actuais como o preconizado pela Organização Mundial da Saúde. 

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