Sábado – Pense por si

Pedro Ledo
Pedro Ledo
11 de abril de 2026 às 08:00

O Olho que Pensa, antes de Ver

Videovigilância preditiva com inteligência artificial: arquitetura tecnológica, implementações reais, enquadramento jurídico europeu e as tensões irresolvidas entre segurança pública e liberdade individual.

Durante décadas, a câmara de videovigilância foi essencialmente um aparelho de memória passiva: gravava, armazenava e esperava que algo acontecesse para ser consultada depois do facto. A investigação criminal fazia uso dela retrospetivamente, a gestão de segurança observava o monitor em tempo real com olhos humanos fatigáveis, e o potencial dissuasor residia mais na presença física do equipamento do que em qualquer capacidade de resposta autónoma. Esse paradigma está a ser substituído de forma acelerada por algo qualitativamente diferente: sistemas que não apenas registam o que acontece, mas que inferem, antecipam e alertam sobre o que poderá acontecer.

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