A Esperança – antes tu do que eu
Pedro Duro
02 de fevereiro de 2019

A Esperança – antes tu do que eu

Se ela é a última a morrer, eu já deveria estar morto.

Há frases assassinas. Uma delas é «a Esperança é a última a morrer». Sem dúvida, uma frase de alento, mas pode levar a conclusões como a que começa este nada que hoje trago. Por vezes, ela morre porque sim: porque se é pessimista ou, simplesmente, porque a estatística não tem ajudado, ou, ainda, porque nunca se está satisfeito com nada. No primeiro caso, ela é uma moribunda; no segundo, uma derrotada; no terceiro, um nado-morto. Mas ela morre antes de nós e, se nos convencemos de que deve ser a última a morrer, a sua morte mata-nos por dentro, como se já devêssemos tempo à cova.

O problema é que ninguém sabe o que é a Esperança, ainda que todos falem dela como se a conhecessem de ginjeira. É uma generalidade («dias melhores virão»)? É o esperar por algo concreto? É um sonho? Ou apenas a capacidade de sonhar e de nos refazermos em sonhos quando somos obrigados a acordar de outros? Ninguém sabe.

Mas tenho sérias dúvidas de que ela deva ser a última a morrer, porque isso pressupõe que somos incapazes de viver sem uma cenoura, sem saborear a erva que temos à nossa frente.

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