Hackear a democracia
Paulo Batista Ramos
23 de novembro

Hackear a democracia

Desde 2011, mais de 50 países já foram alvo de campanhas de desinformação online movidas por estados rivais.

Quando as operações de influência política invadiram o ciberespaço, no início do século XXI, aparentavam ser irrelevantes, ser outro fenómeno passageiro apenas reservado a alguns atores e audiências especificas. Depois, com a adoção, por alguns estados, da desinformação digital como arma de política externa, esta transformou-se num dos principais desafios para as sociedades democráticas neste século.

O panorama democrático europeu e norte-americano é de crescente polarização da política tribal, caraterizada pelo aumento da propaganda, extremismos de vária ordem, desconfiança nas instituições e nos concidadãos, nalguns casos cisões étnicas e raciais, proliferação de teorias da conspiração como ideologias dominantes e suspeição em relação à ciência e aos peritos.

Nada disto é novo, mas foi amplificado e agravado pelo contexto de desordem informativa do ciberespaço e pelo atual contexto de crises permanentes. Por vezes, para além do natural tornado informativo, existem atores mal-intencionados movidos por agendas partidárias, lucro ou objetivos geoestratégicos, que se encontram na origem do caos informativo.

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