O “verão” acabou. Vamos falar de coisas sérias? Saúde mental
Paula Cordeiro
01 de setembro

O “verão” acabou. Vamos falar de coisas sérias? Saúde mental

A pandemia trouxe à tona muitos dos males da sociedade e criou problemas onde aparentemente, não existiam. A saúde mental foi-se abaixo  porque não nos cuidamos, evitamos falar sobre isso e temos muita vergonha de pedir ajuda.

Conheci a Maria há um ano, em plena pandemia e gostei dela de imediato. Radiante, recebia como ninguém. Era uma das recepcionistas num hotel no qual me instalei e do qual fiz casa durante umas semanas, naquela pose de escritora que investe o que não tem para ter paz e fugir de si mesma.

Na verdade, não fugia de nada e procurava menos ainda, mas foi ali que encontrei algo especial. Perdida no campo, os ares da serra ensinaram-me um outro respirar, a pele dourada pelo calor de Agosto fez-me sentir novamente bonita, depois de meses e meses numa espécie de reclusão consentida, à qual chamámos confinamento.

Fomos desconfinar para longe, naquela sedução que a distância sempre tem, agarrados à esperança de que ali nada nos chegaria. Mas chegou. Depois do verão veio o inverno e, com ele, um novo confinamento para o qual muitos não estavam preparados. Como as cores de verão, muitos negócios murcharam, ficámos novamente em casa, num tédio ao qual, para alguns, foi difícil escapar. O medo do dinheiro não chegar ou do subsídio terminar, acompanhado pelo desespero de nada ter para fazer, nessa ideia de que temos de ser produtivos para justificar a nossa identidade, invadiu algumas pessoas e minou a esperança que os dias de sol haviam prometido. 

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