Emergência é discutir a emergência
Paula Cordeiro
04 de novembro de 2020

Emergência é discutir a emergência

Por vezes penso na razão que nos leva a acompanhar tão de perto a política do outro lado do Atlântico, com o tanto que há para discutir aqui mesmo, à nossa porta.

Por vezes penso na razão que nos leva a acompanhar tão de perto a política do outro lado do Atlântico, com o tanto que há para discutir aqui mesmo, à nossa porta. Se é certo que a política e os acontecimentos das maiores nações influenciam o mundo, também me ocorre se esta não será uma manobra de distracção em relação ao que realmente importa. Eu não sei interpretar - ler, como se diz por  aí - os resultados das eleições norte-americanas e não consigo desvendar os meandros da política nacional, especialmente num momento da história tão complexo e que, como dizem os especialistas, está mais dividido do que nunca.

O que provoca essa divisão nas sociedades? O que sabemos sobre isso?

Do alto do meu privilégio, por vezes olho o mundo e as suas grandes questões com a sensação de fazer parte de um reality show coordenado por uma inteligência artificial descontrolada, numa realidade que supera qualquer colosso da criatividade humana. Também me lembro, muitas vezes, de um filme pastilha elástica que representa, muito bem, a política e os media. Em 2020, Wag the Dog merece ser revisitado. É uma sátira às manobras políticas: do escândalo Lewinsky, durante o período Clinton, ao Suleimani que Trump arranjou para não se falar do seu potencial impeachment, por cá as manobras não criam filmes mas desenvolvem narrativas hollywoodescas para retirar temas da agenda mediática. Querem exemplos?…

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