A capacidade dos líderes ocidentais de manter esta segregação moral e jurídico-política é, de facto, cada vez mais ignóbil. A dualidade de critérios, a desumanização e a complacência eram expectáveis.
Em 1967, num país emerso em crescente contestação à Guerra do Vietname, Martin Luther King profere um dos discursos que terá inflamado a perseguição que lhe era dirigida pelo FBI. Intitulado ‘Os Três Males da Sociedade’, o discurso dissecava as ligações entre o racismo, a pobreza e a militarização, defendendo que a luta antirracista que havia liderado nos últimos anos não podia prescindir de uma dimensão de classe e de incluir a oposição ao complexo industrial-militar. Naquele momento histórico, tal significava contestação intransigente à Guerra do Vietname. Em resposta aos críticos, que lhe exigiam que se mantivesse confinado aos limites do Movimento pelos Direitos Civis, King afirmou: «pretendo manter estes assuntos misturados, porque eles se misturam. (…)lutei durante demasiado tempo e com demasiada determinação contra a segregação dos serviços ao público para acabar, nesta altura da minha vida, a segregar as minhas preocupações morais.». Para King, a justiça era uma causa indivisível e, por isso, quem a defendia não podia deixar de defendê-la em todos os lugares e em todas as suas dimensões.
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