Delfos
João Laborinho Lúcio
14 de abril

Delfos

Santo Ivo, padroeiro dos profissionais do direito e, em especial dos advogados, cuida de nós, mas não lhe são conhecidos predicados de transformação de pães em Rosas. Todas as escolhas levam a um caminho, mais ou menos espinhoso. O caminho de Sócrates, por ironia ou ignorância, levou à sua condenação ao suicídio, que foi executado ao ingerir um veneno chamado cicuta.

Sócrates. Como escrever um texto nos dias que correm e não falar de Sócrates? Ou de justiça? E como é curioso estas duas palavras – "Sócrates" e "Justiça" – estarem na mesma frase. E como escrever um texto sem que o Espírito Santo não nos ocorra, já que parece sermos todos obrigados a tecer um juízo sobre Sócrates e a justiça dos dias?

Enfim. Este parece ser o desafio que nos ocupa os dias. O desafio que nos faz sair a gritar por justiça. Pela justiça dos outros para os outros, tecendo, assim, a nossa justiça sobre os outros.

Quanto ao tema reinante que oferece às primeiras páginas dos nossos dias as palavras com que nos escrevemos, "só sei que nada sei". E só sei que nada sei quanto a este e a muitos outros temas. Em relação a este, em particular, só sei que escolhi nada saber dentro das escolhas que faço no caminho por mim escolhido. Mas a verdade é que, por vezes, não saber, se torna uma forma de nos escondermos da realidade que nos encerra. Contudo, como acredito que a realidade, ao invés de nos encerrar, nos liberta, acredito no espaço do não saber como o caminho da "ironia" que nos permite andar em busca do saber. Do nosso saber. Do nosso saber-nos. Do sabermos quem somos.

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