Alguém sabe para onde estamos a ir?
Os actuais dirigentes do país, muito provavelmente por força de um revanchismo que, apesar de mascarado de “modernidade”, é cada vez mais indisfarçável, estão mais preocupados em destruir os equilíbrios sociais construídos na sequência do 25 de abril de 1974 e do 25 de novembro de 1975, do que em procurar encontrar soluções para debelar essas dificuldades, ou pelo menos minorar as suas consequências para os mais desfavorecidos.
Lá fora, o Mundo corre, em marcha cada vez mais apressada para a institucionalização de uma Nova Ordem Mundial baseada exclusivamente na Lei do Mais Forte, e nós por cá a discutir questões que são inventadas para nos afastar do debate dos assuntos que vão moldar o futuro de todos nós e das gerações vindouras.
Clarifico: essa Nova Ordem Mundial já existe na prática, mas não estão ainda criadas as instituições que lhe irão dar um corpo formal, à semelhança do que a ONU, o FMI e o Banco Mundial representaram para a Ordem Mundial criada após o final da Segunda Guerra Mundial.
Aliás, em boa verdade, não sei se aos arbitrários poderes mundiais, sejam emergentes ou estejam em declínio, interessa a criação de tais órgãos institucionais, ou se não preferirão, ao invés, estabelecer apenas conversas, bilaterais ou outras, entre eles.
Restará saber se os povos do Mundo aguentam essa situação. Ou melhor, se a aguentam por muito tempo, ou se, como na distopia 1984 de George Orwell, estamos condenados a viver, em perpetuidade, sem liberdade e sem alegria, sob o jugo de esmagadores poderes totalitários.
E, já agora, restará saber o que irão fazer perante tudo isto os dirigentes da União Europeia e dos seus países membros, arredados que estão de tais discussões. O que é natural porque, desde o final da Segunda Guerra Mundial, os Estados europeus nunca conseguiram assumir um papel dirigente na definição dos destinos dos povos do Mundo.
Ou talvez os dirigentes europeus, afinal, nunca verdadeiramente o tenham querido, possibilidade que, por si só, constitui uma matéria digna de um debate sério e profundo.
Mas nada disso se discute em Portugal, nem sequer qual é e/ou qual deve ser o papel do País nesse novo contexto político mundial.
Que grandes nacionalistas, caramba!!!
E fala esta gente da defesa do Interesse Estratégico Nacional.
Não é que a definição do estatuto legal dos trabalhadores por conta de outrem, vulgo “Lei laboral”, ou a eleição dos juízes do Tribunal Constitucional, ou até revisão da Constituição da República, não sejam questões de enorme importância.
São-no efectivamente, tal como muitas outras, como a da saúde, a da habitação, a dos baixos salários (e do generalizado baixo nível de vida da população portuguesa, entendida na sua globalidade) e da precaridade laboral, a das dificuldades que está a passar a escola pública (cujos problemas não se reduzem à falta de professores), ou a da ineficácia do sistema judiciário.
Ou seja, em boa verdade, problemas por resolver é o que não falta em Portugal - o que acrescenta a esse elenco de dificuldades a enfrentar, as debilidades, que são já estruturais, do sistema político nacional.
Acontece, porém, que os actuais dirigentes do país, muito provavelmente por força de um revanchismo que, apesar de mascarado de “modernidade”, é cada vez mais indisfarçável, estão mais preocupados em destruir os equilíbrios sociais construídos na sequência do 25 de abril de 1974 e do 25 de novembro de 1975, do que em procurar encontrar soluções para debelar essas dificuldades, ou pelo menos minorar as suas consequências para os mais desfavorecidos.
E, quanto aos problemas internacionais, outros decidirão e, miseravelmente servis, esses dirigentes obedecerão sem discutir.
Insisto: e diz-se essa gente nacionalista e defensora do Interesse Nacional.
Até um cosmopolita e europeísta, como eu sou, consegue estar mais preocupado que eles com os interesses estratégicos nacionais.
Que existem, apesar de não haver uma perspectiva única de abordagem dessas matérias.
Com o 25 de Abril (o de 1974), abriram-se aos portugueses e portuguesas uma miríade de oportunidades de futuro. Agora o caminho para o futuro está muito, mas mesmo muito mais estreito.
Sendo que, de facto, não existe um único caminho que pode ser percorrido, e, mais exactamente, onde verdadeiramente estamos é numa encruzilhada.
Retomo as palavras (algumas das palavras) da canção de José Mário Branco “Eu vim de longe, eu vou p’ra longe”:
“Quando a nossa festa se estragou
E o mês de Novembro se vingou
Eu olhei pra ti
E então eu entendi
Foi um sonho lindo que acabou
Houve aqui alguém que se enganou”
Há que retomar, em moldes completamente diferentes (porque, indiscutivelmente nos enganámos), o sonho de um país melhor e mais desenvolvido, no qual os portugueses e as portuguesas, tanto os e as mais jovens como os e as menos jovens, se sintam bem e gostem de estar.
Porque, como escreveu António Gedeão/Rómulo Carvalho na “Pedra filosofal”, “o sonho comanda a vida e sempre que um homem sonha o mundo pula e avança como bola colorida entre a mãos de uma criança”.
Em suma e usando as palavras de Ivan Lins e Simone Bittencourt de Oliveira, há que começar de novo.
Alguém sabe para onde estamos a ir?
Os actuais dirigentes do país, muito provavelmente por força de um revanchismo que, apesar de mascarado de “modernidade”, é cada vez mais indisfarçável, estão mais preocupados em destruir os equilíbrios sociais construídos na sequência do 25 de abril de 1974 e do 25 de novembro de 1975, do que em procurar encontrar soluções para debelar essas dificuldades, ou pelo menos minorar as suas consequências para os mais desfavorecidos.
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E nunca como hoje, porque a capacidade de destruição se tornou tão devastadora e porque é tão intenso e generalizado o desprezo pelos valores fundamentais da liberdade, da igualdade, da fraternidade e da soberania do Direito sobre a barbárie, se tornou tão necessário demonstrar que, em termos práticos, a vitória sobre essas forças tenebrosas é possível e está ao nosso alcance.
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